Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto
Enviada em 23/03/2021
Todo ser humano tem o direito de se expressar livremente, porém, deve-se ter em mente que alguns comentários ofendem determinados grupos da sociedade, mesmo que não tenham esse intuito, como no caso de um comercial da empresa MetrôRio que associa um casal de negros à região que passa por mais dificuldades estruturais e econômicas do estado, e um casal de brancos à uma região privilegiada em relação às demais, o que gerou alvoroço nas redes sociais, e fez com que a empresa retirasse esta propaganda de circulação. Por isso deve haver um limite em relação aos comentários feitos que possam ofender algum grupo.
Dessarte, a despeito do politicamente correto, é fácil depreender-se que o Brasil lida hoje com diversos imbróglios sociais, uma vez que, num país tão plural, a diversidade exija sua cota de respeito. Contudo, principalmente por meio da difusão facilitada e anônima da internet, grupos sociais, os chamados minorias, ainda sofrem ataques cotidianos, camuflados de piadas ou, até mesmo, explicitamente preconceituosos. Embora a camada demográfica reacionária nacional venha tentando construir um país livre de insólitos, como gays e índios, tais grupos parecem esquecer-se dos demais direitos lockeanos cabíveis a toda a população.
Ademais, deve-se pontuar como a forma equivocada do exercício de liberdade de expressão corrobora a perpetuação de práticas discriminatórias na sociedade. Como analisou o sociólogo Pierre Bourdieu, os indivíduos possuem a tendência de incorporar padrões sociais ao longo do tempo. Sob essa conjectura, pode-se asseverar que as falsas noções da permissão de manifestar-se serão naturalizadas pelas pessoas e, concomitante a isso, será alavancada a dificuldade de desmistificar a cultura do preconceito étnico-social. Neste contexto, conclui-se que a problemática não se restringe na sobreposição de poderes de uns sobre os de outros, tendo em vista a manutenção e a construção de mentalidades cada vez mais propícias a se expressarem de forma opressora e antidemocrática no território nacional.
portanto Cabe ao Poder Legislativo, como instituição regulamentadora do país, elaborar uma lei que regularmente os conteúdos expostos nos veículos de comunicação, não como forma de censura, mas, sim, impondo limites aos conteúdos que desrespeitem as minorias tradicionalmente oprimidas, através de um projeto de lei, objetivando, com essa proposta, atenuar os casos de ofensa a esses grupos em rede aberta. Por fim, cabe à própria mídia, realizar palestras internas, a fim de conscientizar seus integrantes quanto aos limites do humor.