Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto

Enviada em 07/09/2020

Grande pensador iluminista, Voltaire, em dado momento, fez uma das afirmações mais famosas até hoje: “Não concordo com o que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito a dizê-lo”. Na sociedade brasileira atual, é cada vez mais notável que a liberdade de expressão defendida por ele só se concretiza na teoria, e tem como ponto fraco a realidade. Assim, se torna essencial entender as causas e consequências de tais fatos.

Em uma primeira análise, devemos destacar o direito pleno de liberdade de expressão defendido pela constituição de 88, carta magna do país. Por ser uma nação miscigenada, a população depara-se com opiniões e pontos de vista diversificados e conflituosos, contudo, a opinião menos popular e menos abrangente socialmente, aquela que supostamente desmerece minorias, é combatida, gerando ainda mais atritos. Desta forma, há uma tentativa de imposição do “certo”, pelo politicamente correto.

Ao proibir-se a livre manifestação de ideias sobre determinados assuntos, o politicamente correto funciona como uma mecanização, padronizando opiniões, a prática mais invasiva de uma democracia. Sendo a liberdade de expressão sem limites uma geradora de discórdia, segundo adeptos do politicamente correto, sem esta, haveria predominância do “pensamento de manada” e maior exclusão da voz dos grupos marginalizados - os quais, em tese, são a preocupação do politicamente correto.

Diante de tais ocorrências, é latente a importância de conter a onda crescente de censura que vem assolando o país nos últimos anos. Dado o exposto, é necessário que o Ministério da Educação proporcione à todos educação cultural e científica, mediante aulas e debates abertos - com variedade de convicções -. Somente assim, as ideias de Voltaire podem se concretizar e, assim, existir a prática da liberdade de expressão.