Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI
Enviada em 28/05/2020
De acordo com o teórico britânico David Harvey, a globalização fomentou o “encolhimento do mundo”, isso é, o fluxo de notícias se difundiu, trazendo consigo uma democratização do conhecimento. Entretanto, a questão estética corporal imposta pelos meios de informação, no século XXI, se torna um entrave a ser enfrentado por ter um efeito prejudicial à sociedade. É possível afirmar que não só a falta de um bom senso em relação à saúde, mas também a falta de um criticismo, ambos realçam o status quo contemporâneo: uma população às cegas.
Inicialmente, vale dizer que um estereótipo mórfico se consolidou em detrimentos de aspectos mais relevantes, como, por exemplo, o bem-estar. Em contrapartida, a influência de uma vida pautada na atividade física é — e deve ser — um exemplo a ser seguido. Todavia, a má interpretação populacional relativo ao próprio corpo, leva-os aos distúrbios, entre eles: vigorexia, bulimia, anorexia e depressão, os quais são de grande deleteriedade ao organismo.
Ademais, pelo decurso da história, constantemente houve um molde de beleza hegemônico, não é contrário ao que se vive na contemporaneidade, porém, atingia proporções menores pela restrição do contato. De modo a exemplificar a assertiva, analisa-se as pinturas clássicas: “Gioconda”, de Leonardo da Vinci, e “O Casal Arnolfini”, de Van Eick. Tais representações demonstram mulheres muito parecidas esteticamente que, de certa forma, era um modelo de época. A priori, o problema não está em ter um padrão físico preponderante, mas sim em como atingi-lo.
Destarte, é dever do Estado vigente de cada país, conscientizar a população por intermédio de palestras educativas e campanhas midiáticas acerca da importância da prática de atividades físicas regulares em detrimento de uma simples meta de corpo. Espera-se, com tais medidas, uma diminuição significativa no número de anomalias alimentares, assim como uma nação mais satisfeita consigo mesma e, portanto, mais feliz.