Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 23/10/2019

Desde sempre as pessoas com o físico não considerado “padrão” são pressionadas indiretamente a se encaixarem no “modelo ideal”, tendo essa situação cada vez mais rígida. A autocobrança se deve principalmente pelos julgamentos que se baseiam em conceitos, cultura e crenças que dominam determinada época. O padrão de atualmente é imposto principalmente pela mídia, o que tem prejudicado as pessoas em todos os sentidos, tanto psicológicos, como em seu próprio corpo.

Ao longo da historia o corpo perfeito já teve vários princípios, como o corpo cheio, sinônimo de fertilidade; mulheres voluptuosas e sensuais, homens com a estrutura musculosa e modelos extremamente magras, como é o conceito dos dias de hoje. Em uma sociedade em que os padrões se elevam a cada dia, ainda, a imagem é a primeira informação a ser absorvida, seja num contato pessoal, profissional ou virtual.

Em consequência disso, observa-se que a mídia alem de implantar a mulher e o homem magro, de pele clara e olhos claros como o ideal, propaga diariamente maneiras de emagrecer repentinamente, por exemplo. De acordo com um estudo da empresa Nielsen Holding, os brasileiros são os latino-americanos que mais recorrem a remédios para emagrecer na América Latina. Apesar disso, quando a pessoa não tem estímulos para se aceitar, acredita que não consegue de forma alguma se encaixar no modelo, podendo ocasionar doenças como ansiedade ou depressão.

Ainda convêm lembrar que um estudo feito pela Dove mostrou que apenas 4% das 6.400 mulheres entrevistadas se sentem seguras o suficiente para se definirem como belas. Entre as brasileiras, a porcentagem é de 14% e 59% afirmam sentir pressão para ser bonita. A psicologa Gabriela Scapini  diz, “Essas tentativas de definir e categorizar pessoas entre normais e anormais estão fortemente associadas à eugenia, ciência que tenta determinar quais seriam os seres humanos com o melhor patrimônio genético, e que já serviu de justificativa para genocídio, escravidão e colonização”. Essa frase reforça o real motivo da grande preocupação das pessoas de ser bem vistas aos olhos dos outros.

Portanto, medidas precisam ser tomadas a fim de acabar com a crença de que é obrigado se encaixar no padrão de beleza e consequentemente diminuir as doenças psicológicas e aumentar a autoaceitação. É obrigação do Governo e das escolas ressaltarem o amor próprio e a irrelevância do beleza perfeita a partir de palestras, campanhas, workshops e debates. A mídia também tem de colaborar, com campanhas e propagandas que incentive o cidadão a se respeitar. Dessa maneira, a sociedade brasileira poderá aguardar a queda da competitividade,  melhorias na saúde psicológica e no autoconhecimento.