Lei da Palmada: Avanço social ou intervenção na criação?

Enviada em 15/05/2020

A noção de violência educativa ainda é muito presente e defendida na sociedade brasileira. A palmada corretiva ainda é muito empregada e explorada, sendo vista como recurso indispensável na educação familiar. Seu uso frequente e desmedido, fez valer a “Lei da Palmada”, que vem sendo muito criticada e passível de veto, evidenciando a banalização da violência doméstica e do uso do diálogo.

O uso frequente da palmada corretiva evidencia a grave banalização da violência e falta de noção para limites. O tradicionalismo dos métodos trazem também o silenciamento, ocasionando em uma falta de reflexão sobre o quão nocivas são essas práticas e levando indivíduos a perpetuá-las. Em consequência disto, a criança cresce sem noção de respeito, uma vez que aprendeu valores com silenciamento e imposição.

O corte do diálogo é uma consequência direta ligado ao uso da palmada. Os pais e responsáveis dão mais enfoque na punição da criança sem dar chance à uma conversa esclarecedora, na qual ambos os lados deveriam poder falar. Com isso, a criança não tem a oportunidade de entender o porquê de seu erro e os pais, suas motivações.

O uso da palmada está longe de acabar, porém, é possível que haja a diminuição dos casos. Instrumentos midiáticos, com o enorme poder de influência que possuem, são importantes na exposição aberta do caso, mostrando como e porquê podem ser nocivas e suas consequências com análises críticas em campanhas. Ademais, a desburocratização de projetos de lei por parte dos governos estaduais se faz necessário e imediato quando casos de violência tomam enormes proporções, mas principalmente, quando se torna o único meio para o alcance da ordem.