Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?

Enviada em 16/08/2025

No episódio “Playtest”, da série Black Mirror, a trama acompanha um jovem que se submete ao teste de um jogo de realidade aumentada e acaba preso em uma experiência virtual perturbadora, confundindo realidade e simulação. Apesar de ser uma obra de ficção, o enredo reflete questões atuais sobre os riscos do uso desmedido da tecnologia, sobretudo no que diz respeito aos impactos dos jogos eletrônicos na vida dos jovens. Nesse viés, é possível notar que a problemática se desdobra por meio da influência no comportamento e no convívio social, além dos prejuízos ao rendimento escolar.

Sob essa perspectiva, deve-se ressaltar como os jogos eletrônicos podem afetar a socialização dos jovens. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea é marcada por relações “líquidas”, frágeis e passageiras. Nesse contexto, a imersão excessiva no universo dos jogos pode levar ao isolamento, à perda de habilidades comunicativas e até ao desenvolvimento de uma realidade paralela que substitui as interações presenciais. Dessa forma, enquanto não houver equilíbrio entre lazer digital e convivência social, os jovens estarão mais propensos a se distanciar de vínculos afetivos e comunitários.

Por conseguinte, outro fator que contribui de forma significativa para a problemática é o impacto no desempenho escolar. Conforme pesquisa divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso prolongado de jogos digitais compromete a rotina de sono e reduz o tempo destinado ao estudo. Isso gera desatenção em sala de aula e dificuldades no processo de aprendizagem, reforçando a relação entre excesso de jogos e queda no rendimento acadêmico. Sob esse viés, torna-se evidente que a falta de disciplina no uso das tecnologias compromete não apenas a saúde, mas também o futuro profissional dos jovens.

Portanto, são essenciais medidas operantes para assegurar o uso responsável e equilibrado dos jogos eletrônicos. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com escolas públicas e privadas, oferecer palestras e oficinas de organização do tempo para estudantes, além de campanhas educativas voltadas às famílias sobre limites no uso das tecnologias. Assim, será possível reduzir os efeitos nocivos e potencializar os aspectos positivos dos jogos,