Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 09/06/2023
No livro “1984” de George Orwell, as pessoas são obrigadas por uma ditadura a dedicarem 2 minutos por dia em xingar indivíduos que aparecem na televisão, o que ficou conhecido como “2 minutos de ódio”. Fora da ficção, o Brasil compartilha certa semelhança com a utopia descrita pelo escritor inglês por conta da intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais. Assim, essa situação é inegalvelmente causada pela omissão das plataformas em resolver a problemática. Além disso, a impunidade e o distanciamento interpessoal ratificam o problema.
Primeiramente, é válido ressaltar que o discurso de ódio se propaga mais facilmente na internet por ser mais difícil o praticante ser punido. Isso ocorre devido a facilidade em se criar novas contas nas redes sociais. Na plataforma Twitter, por exemplo, mesmo que a conta do culpado seja banida pela empresa, ele pode facilmente criar uma nova conta ao inserir um novo email, continuando assim a ofender a honra de outros internautas.
Ademais, o distanciamento interpessoal também amplifica a intolerância e o discurso de ódio na internet. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, “Tudo é mais fácil na vida virtual, mas perdemos a arte das relações sociais e da amizade”. Com isso, pode-se concluir que o fato das redes sociais permitirem conversas entre as pessoas de diferentes lugares ao mesmo tempo traz como consequência uma supressão temporária da capacidade do ser humano de se colocar no lugar dos outros, facilitando a difamação na vida virtual.
Diante do exposto, percebe-se que o problema do discurso de ódio e da intolerância nas redes sociais tem como origem a negligência das empresas responsáveis em resolver o problema. Logo, faz-se necessário que os empresários adotem medidas em suas respectivas plataformas como, por exemplo, a obrigatoriedade do CPF na criação de uma conta visando facilitar a punição dos difamadores virtuais. Além disso, é importante que as empresas criem e ampliem recursos em seus aplicativos como chamadas de vídeo, a fim de aproximar os internautas e garantir uma navegação mentalmente saudável nas redes sociais.