Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 02/11/2022

A obra cinematográfica “Filhos do Ódio” relata a história de Bob, um jovem neto de um participante de uma organização racista, que começa a questionar e combater comportamentos intolerantes e odiosos contra minorias sociais. Concomitante a isso, no Brasil, torna-se crescente a preocupação com a propagação da intolerência e discurso de ódio nas redes sociais. Nessa perspectiva, tais desafios devem ser analisados e superados de imediato: a violação da dignidade humana e a apatia social e estatal diante esse mal.

Em primeira análise, é relevante abordar que a igualdade e o respeito são bens de valor social. De acordo com a Declaraçõ Universal dos Direitos Humanos, dentre os direitos que asseguram o bem-estar e a dignidade da vida humana está a proteção universal e igualitária contra qualquer forma de discriminação a todos os indivíduos. Contudo, a realidade mostra-se justamente o oposto e o resultado desse contraste pode ser refletido no atual cenário, dado que os índices de intolerância e discurso de ódio nas redes sociais continuam a ocorrer.

Ainda, faz-se mister salientar os demais fatores etiológicos que agravam a situação. Segundo o sociólogo Zigmunt Bauman, autor de “Modernidade Líquida”, a falta de solidez nas relações humanas culmina na transferência do ideal de progresso como melhoria coletiva para o de ascensão própria, fenômeno que impulsiona a apatia da populção e do estado sobre a contínua disseminação de intolerância e discrimanção nos meios digitais e ratifica a propação do ódio.

Em suma, os impactos desse mal são reflexos da postura social. Assim, medidas são necessárias para contornar a situação. Urge que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, por meio de verbas governamentais adequadas e profissionais qualificados, promova a instauração de verificadores tecnológicos capazes de analisar a difusão de comportamentos intolerantes e discursos de ódio nas redes sociais. Ademais, cabe ao Ministério da Educação e da Cultura (MEC), juntamente com o setor midiático, através de propagandas e campanhas, conscientizar a população quanto a gravidade do problema e suas consequências, instruindo-a a combater esse mal.