Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 29/10/2022
O poeta pós-modernista Manoel de Barros produziu, em suas obras, uma “Teologia do Traste”, cuja principal função consiste em dar valor às situações, frequentemente, esquecidas ou desprezadas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se necessário, portanto, valorizar também a problemática do discurso de ódio nas redes de comunicação. Nesse sentido, é fulcral destacar o descaso social com a empatia na internet como causa e a restrição da liberdade de expressão como consequência da conjuntura.
Em primeiro lugar, segundo o filósofo iluminista Immanuel Kant, o princípio da ética é agir de forma que essa ação possa se tornar uma prática universal. De maneira análoga, a negligência da população com o respeito no âmbito virtual, como, por exemplo, discursos que ameacem a segurança do outro ou comentários preconceituosos, vai de encontro com o pensamento kantiano, uma vez que se todos os cidadãos práticarem a intolerância nas redes sociais, a comunidade entraria em profundo desequilíbrio. Verifica-se, assim, que o descaso da sociedade corrobora a manutenção do impasse.
Ademais, é válido ressaltar que a manifestação de ódio na internet limita a liberdade de expressão. Isso ocorre porque os indivíduos podem sentir receito de dar sua opinião, pois qualquer comentário nas redes sociais tem potêncial de gerar uma “onda” de críticas e intolerância. Paralelamente, tal cenário é retratado na obra “1984”, do autor George Orwell, que descreve uma sociedade incapaz de se expressar, uma vez que o governo oprime qualquer forma de pensamento indesejado por ele. Dessa forma, uma intervenção é substâncial para que o corpo social não se assemelhe a comunidade criada pelo autor.