Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 16/11/2021
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, nas redes sociais , a liberdade potencializa o discurso de ódio, tornando vítimas indivíduo e grupos sociais. À vista disso, ratifica-se a configuração negativa desse cenário e a necessidade de combater o seu desenvolvimento. Outrossim, é possível destacar a falta de empatia dos agressores e a cultura do anonimato.
Primeiramente, percebe-se o individualismo humano como uma das causas dessa problemática. Nesse viés, Zygmunt Bauman defende que a Modernidade Líquida é fortemente pautada no egoísmo. Nesse sentido, ao interagirem com perfis nas redes sociais, os indivíduos julgam outros indivíduos apenas por imagens superficiais deixando o lado racional de lado e movidas pelo sentimento de ódio, agredindo-os e incitando outros usuários das redes a replicarem tal violência. Dessa forma, a falta de empatia na internet pode ser bastante prejudicial e precisa ser combatida.
Além disso, o anonimato usado de forma negativa pede disseminar discurso de ódio com o intuito de discriminar pessoas e grupos de indivíduos, baseado na cor, religião, sexualidade. Nesse sentido, dados confirmam o grau de virulência da sociedade brasileira, a Sagennet - associação que trabalha para a promoção de segurança digital, já recebeu mais de dois milhões de denúncias relacionadas a crimes de ódio na internet, nas quais a maioria das vítimas são pessoas negras e LGBT. Desse modo, a cultura do anonimato torna-se nociva à interação na internet.
Evidencia-se, portanto, que o combate ao discurso de ódio na internet é mais que necessário para o bem-estar da sociedade. Por conseguinte, cabe de Ministério da Justiça e Segurança Pública instruir os usuários acerca dos direitos individuais e coletivos por meio de campanhas digitais nas redes de maior acesso, em que seriam apresentados depoimentos reais de vítimas de ódio, a fim de disseminar atitudes com decoro na internet. Somado a isso, é necessário que empresas de mídias sociais monitorem constantemente as publicações virtuais, mediante ferramentas de inteligência artificial, com a finalidade de identificar agressores e reduzir a propagação desses discursos. Assim, a concepção de Sartre será verificada na realidade brasileira contemporânea.