Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 09/09/2020
A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro, assegura o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e outras formas de discriminação. Entretanto, torna-se válido perceber que essa garantia nem sempre é colocada em prática, uma vez que a prática da intolerância e do discurso de ódio nas redes sociais tem sido frequentes na contemporaneidade, destacando a falsa ideia de impunidade e a cultura do cancelamento como agravantes desse problema.
Diante desse cenário, pode-se relacionar a ideia de falsa impunidade na rede com “A banalidade do mal”, teoria de Hannah Arendt visto que, segundo a filósofa alemã, a violência, uma vez concretizada na atualidade, é normalizada. Nesse sentido, as violências simbólicas da atualidade são reproduzidas nas redes sociais, uma vez que são o retrato da sociedade e, devido a existência de um pensamento errôneo de que a internet é uma “terra sem lei”, o ambiente digital se torna mais propício para a propagação de discursos de ódio.
Seguindo essa premissa, torna-e imprescindível ressaltar que o aumento da prática de linchamento virtual com a “cultura do cancelamento”, ou seja, exclusão de um indivíduo da sociedade por determinado grupo. Dessa forma, os usuários julgam ser os detentores de uma verdade, utilizando-se de atitudes, muitas vezes do passado, para propagar o ódio, como ocorre com Machado de Assis, símbolo da literatura brasileira que tem suas contribuições julgadas por comunidades digitais devido a atitudes racistas consideradas banais naquele período.
Portanto, medidas tornam-se necessárias para dar fim ao crescente discurso de ódio nas redes sociais no Brasil. Nesse contexto, o Ministério Público dos estados deve, por meio do auxílio das Coordenadorias de Combate aos Crimes Cibernéticos (COECIBER), aumentar sua atuação na área digital para a comunidade, realizando palestras sobre como não se está impune na internet. Assim, espera-se que, com a conscientização, a criminalidade cibernética diminua.