Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 31/08/2020

O filosofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, na internet, muitas vezes, a liberdade incita nas pessoas discursos de ódio, tornando vítimas indivíduos e/ou grupos inteiros. Nesse contexto, em virtude não só da escassa abordagem do problema, mas também da lacuna educacional, emerge um problema complexo que precisa ser resolvido.

Em primeira análise, é preciso salientar que a falta de debates é uma causa latente do problema. De acordo com Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates acerca dos discursos de ódio existentes na internet, o que contribui com a falta de conhecimento da população sobre tal questão, tornando-a intolerante e condenadora. Diante disso, segundo o portal Comunica Que Muda, apresentou que, em 2017, em apenas 3 meses foram feitas 32.326 menções nas redes sociais — sobre racismo —, e delas 97,6% são negativas. Dessa forma, enquanto o Governo não criar mecanismos rápidos e eficientes para o combate de tal conjuntura, as vítimas dessas agressões continuaram sofrendo sem quaisquer auxílios.

Além disso, a lacuna educacional perpetua o problema, multiplicando casos de agressões nas redes sociais. Consoante ao filósofo Immanuel Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, no que tange à intolerância virtual, verifica-se uma veemente influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter tal mazela, visto que não tem trazido esses conteúdos para a sala de aula, por exemplo, em matérias já criadas como sociologia e filosofia, para que os debates sobre tal temática conscientizem os alunos, a partir do primeiro ano do ensino médio, a fazerem uma análise racional desse mal que assola a nação.

Destarte, uma intervenção faz-se necessária. Portanto, o Ministério da Justiça, como instância máxima da administração dos aspectos judiciários no Brasil, deve criar e divulgar uma campanha nas redes sociais de maior acesso — como o Youtube, o Instagram e o Twitter —, por meio do relato de vítimas do discurso de ódio virtual e de agressores já devidamente punidos, a fim de estimular a discussão e comunicar a criminalização desses atos perversos. Assim, possivelmente a concepção de Sartre será verificada na realidade brasileira do século XXI.