Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 30/08/2020

O filosofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, na internet, muitas vezes, a liberdade incita nas pessoas discursos de ódio, tornando vítimas indivíduos e/ou grupos inteiros. Nesse contexto, emerge um problema delicado, em virtude da falta de empatia dos agressores, alimentada pela impunidade.

Primeiramente, percebe-se o individualismo humano como causa do problema. A respeito disso, Zygmunt Bauman defende que a modernidade líquida é fortemente pautada no egoísmo. Nesse sentido, ao interagirem com perfis nas redes sociais, muitas pessoas julgam — e condenam — outras pessoas, sem uma análise racional e motivadas pelo sentimento de ódio, agredindo-as e incitando outras pessoas a replicarem tal violência.

Além disso, a impunidade perpétua o problema, multiplicando casos de agressão nas redes sociais. Para Aristóteles, a base da sociedade é a justiça. Entretanto, a justiça, na internet, pode ser intencionada fora dos órgãos legítimos, já que o exercício da denúncia ainda não é uma prática cristalizada no cotidiano brasileiro e agressores utilizam, muitas vezes, perfis falsos para cometerem atos agressivos. Dessa forma, ações de combate à impunidade, nesse caso, são dificultadas.

Portanto é preciso que medidas sejam tomadas. Para isso, o Ministério da Justiça deve criar e divulgar uma campanha nas redes sociais de maior acesso — como o Instragram, o Twitter e o Facebook —, por meio do relato anônimo de vítimas do discurso de ódio virtual e de agressores já punidos, a fim de estimular a empatia e comunicar a criminalização desses atos. Assim, possivelmente, a concepção de Sartre será verificada na realidade brasileira do século XXI.