Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 29/08/2020
Durante o “Século das Luzes” - período histórico em que ocorreu o Iluminismo - os filósofos iluministas foram os responsáveis por garantir, à humanidade, uma série de direitos. Entre eles está a Liberdade de Expressão. No entanto, extremistas políticos, religiosos ou ideológicos, utilizam de tal direito para expor sua intolerância e disseminar o ódio. Os discursos nas redes sociais e as manifestações de violência pela mídia brasileira são os fatores, entre tantos, que tiram da sociedade o que deveria ser cultivado.
Nesse contexto, é importante ressaltar que, no Brasil, as redes sociais, como Twitter e Instagram, são utilizadas como ferramenta de propagação da imoralidade. Tem-se, como exemplo, a divulgação de dados pessoais de uma menina de 10 anos que, ao ser violentada sexualmente, engravidou; levando-a à necessidade de realizar um aborto. O episódio gerou muita controvérsia na mídia social, quando parte da população não concordava com a realização do procedimento médico. Infelizmente, o desrespeito com as crenças - e também as descrenças - levam o país a uma ridicularização cada vez maior, pois, quando deveria haver “Ordem e Progresso”, apenas se observa o regresso.
Além disso, o número de ameaças e insinuações desagradáveis aumentam, cada dia mais, nos veículos da mídia social do Brasil. “Por que torço para que Bolsonaro morra?” foi a manchete de um artigo de opinião, publicado pela Folha de São Paulo, no qual citava o desejo do jornalista pela morte do Presidente da República. São estas atitudes deploráveis que dão, ao povo, a sensação de que tudo se resolve com a fúria generalizada e que a tolerância não deve mais ser utilizada entre a humanidade. Estes fatos, lamentavelmente, destroem toda a dignidade de nossa sociedade, que levou séculos para ser construída. A “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” está cada vez mais distante entre os brasileiros.
Tendo em vista, portanto, a irresponsabilidade com o uso ético e moral da mídia social e a intolerância no Brasil, cabe ao Ministério Público a criação de um departamento que monitore as redes sociais, por meio da contratação de especialistas que fiscalizem as postagens que incitem e propaguem o ódio, para que, ao encontrarem os responsáveis por tal imoralidade, possam puni-lo adequadamente, conforme as restrições e medidas previstas no código penal brasileiro. Desta forma, a liberdade de expressão será devidamente aplicada, seguindo a tese do importante filósofo do século XVIII, Voltaire: “Não concordo com nenhuma palavra do que dizes, mas defenderei até o último instante o teu direito de dizê-la”.