Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 22/08/2020
O filme polonês “Rede de Ódio”, explora as consequências catastróficas das ações virtuais de um jovem, que ao trabalhar para uma agência contratada por clientes que desejam espalhar fake news contra seus oponentes, estimula discursos homofóbicos, racistas e xenofóbicos. De forma análoga, ocorre na sociedade brasileira, a difusão da intolerância e do discurso de ódio na internet através de perfis nas redes sociais, tal situação é motivada pelo desconhecimento da diversidade social e pela impunidade em relação às infrações cometidas.
Primeiramente, é necessário ressaltar que a falta de conhecimento acerca da história e cultura das minorias políticas fomenta a reprodução de estereótipos por parte da sociedade. Assim, as redes, ao proporcionarem uma situação de anonimato, tornam-se ferramentas propagadoras de discursos que violam direitos individuais e coletivos. Dentro desse contexto, a prática recorrente de “cancelamento”, forma de linchamento virtual contra personalidades, é um exemplo de banalização do mal, definição de Hannah Arendt para explicar a normalização de preconceitos e de comportamentos em que imperam a agressão mecânica, desumanizada.
Além disso, apesar dos avanços do Marco Civil da Internet em regulamentar a retirada de conteúdos ofensivos por ordem judicial, a impunidade no que tange à intolerância ainda persiste e como resultado contribui para sua ampliação. Um dos fatores que dificultam o julgamento de casos relacionados a isso é a confusão entre liberdade de expressão e discurso de ódio. Nesse sentido, o filósofo Karl Popper discute no paradoxo da tolerância a necessidade de intolerar discursos intolerantes a fim de manter uma sociedade livre e democrática, diferenciando assim tais conceitos.
Portanto, é mister que as escolas administrem aulas interdisciplinares de História, Filosofia e Sociologia cujas abordagens seja a diversidade e a importância de respeitar os direitos de grupos minoritários, a fim de desconstruir estereótipos e promover a inclusão social. Soma-se a isso, a ação de ONGs ao oferecer apoio jurídico, assim como, promover mobilização social, por meio de campanhas nas redes, no que se refere a casos de discriminação, com o objetivo de garantir o cumprimento do Marco Civil da Internet.