Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 13/08/2020
Em um de seus episódios a série da Netflix “Black Mirror” explorou um mundo tecnológico em que as pessoas eram avaliadas por outras. Nele, a personagem principal se alterou com um indivíduo e de imediato sua avalição caiu, sendo impedida de viajar por ter uma nota baixa. Fora dos limites ficcionais, a realidade não é diferente visto que os indivíduos são interpretados por suas falas nas redes sociais. Por isso, cresce o número de linchamentos virtuais que ocorrem pela falta de educação digital, como também pela visão maniqueísta da sociedade.
A princípio, é essencial salientar que deve existir cautela nas redes sociais. Isso é preciso, pois nem todas as informações no ciberespaço são verídicas, algumas são usadas para manchar a reputação do indivíduo. Assim, se não houver um mínimo discernimento para separar a “Fake News” maldosa da verdade, essa pessoa ficará com uma imagem errônea e falsa. Nesse sentido, um exemplo claro ocorreu com o “YouTuber” Felipe Neto no qual ele fez uma crítica ao atual governo e no outro dia seu nome foi associado à pedofilia infantil, o que o fez ser xingado e até ameaçado enquanto a notícia não fosse negada. Dessa forma, é importante educar a população a utilizar a era da informação de maneira correta.
Ademais, é importante destacar que tem o uso do pensamento binário no campo virtual. Tal cenário é fruto de uma visão maniqueísta que divide os internautas entre X e Y. Esse discurso é potencializado com o uso das redes sociais, pois as pessoas são influenciadas a escolher um lado de defesa de opinião. Nesse sentido, há uma guerra de verdades para descobrir quem está mais certo, mas esquecem que o debate é subjetivo e cada um tem sua linha de raciocínio. Sob tal ótica, o filósofo iluminista Voltaire argumenta que embora não concorde com o que a pessoa fala ainda defende o direito de dizer, por isso, deveria ser assim no debate no mundo virtual para criar uma democracia e discussão saudável, sem violentar ninguém.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para racionalizar a população no uso da internet. Para isso, o Ministério da Educação deve promover, por meio de oficinas, palestras e aulas extracurriculares, como usar as redes sociais de forma adequadas, a fim de que os internautas saibam identificar notícias tendenciosas e como se proteger nas redes sociais, desse jeito criará uma maturidade sobre como reagir com situações adversas. Dessa maneira, diminuirá o número de avaliados pelos fiscais de internet.