Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 01/10/2018

Devido à truculência do regime nazista na Europa, em meados do século passado, o dramaturgo austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil. Impressionado com a multiculturalidade e o iminente potencial do novo lar, o romancista escreveu uma obra cujo título é polêmico: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se nota a crescente onda de intolerância e o gradual aumento do discurso de ódio, trazendo diversos malefícios à sociedade, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Sendo assim, é necessário a população, aliada ao Estado, encontrar soluções para mitigar tal adversidade.

Deve-se pontuar, de início, que, indubitavelmente, os crimes de ódio na internet ocorrem, principalmente, devido à falsa sensação de anonimato possibilitada pelas redes. Ao tecer comentários intolerantes por trás de contas fakes — perfis falsos criados para mascarar a identidade original do criminoso —, o indivíduo ataca, na maioria das vezes, minorias, como homossexuais e imigrantes, por exemplo. Vale destacar também que a ausência de ferramentas eficazes contra a intolerância e o ódio nas principais redes sociais, como o Facebook e Instragram, agrava o problema, perpetuando tais adversidades execráveis.

Dessa forma, o debate ora proposto centrar-se-á exatamente nas consequências advindas das práticas intolerantes vistas nas mídias sociais. O ataque promovido por usuários maliciosos pode promover, em vítimas mais suscetíveis, malefícios, como a depressão, uma das doenças que mais causa problemas de saúde, segundo a OMS, e, em casos mais graves, levar ao suicídio. Tal depreciamento feito pelos indivíduos de má índole atinge diretamente características que definem a singularidade de cada ser humano, como consta em recentes artigos publicados pelos Direitos Humanos da ONU. Dessa maneira, a autoestima e o bem estar são afetados, comprometendo a saúde psíquica do cidadão.

Posto isso, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário caótico. Cabe ao Ministério da Educação elaborar materiais didáticos, como pequenas histórias em quadrinhos, para alunos do ensino médio e fundamental, com um conteúdo que aborde acerca da importância do respeito mútuo, independentemente de etnia e orientação sexual, conscientizando, desce cedo, os jovens. As grandes mídias, com o apoio de ONGs, devem pressionar, por meio de publicidades, as redes sociais a intensificarem o combate ao ódio e à intolerância.