Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 30/09/2018

De acordo com a Teoria do Habitus, do sociólogo Bourdieu, a sociedade incorpora, naturaliza e reproduz as estruturas sociais que lhe são impostas. Explica-se, com isso, a perpetuação, até os dias de hoje, de episódios discriminatórios contra escravos, negros, mulheres e imigrantes, ocorridos no período colonial. Somado à essa herança histórico-cultural, o egocentrismo da lógica pós moderna, bem como a impunidade dos usuários virtuais - devido, sobretudo, à imponente sensação de anonimato - corrobora a propagação do discurso de ódio nos meios de comunicação.

Sob tal ótica, o período pós moderno é marcado pela artificialidade nas relações interpessoais. Segundo o sociólogo Bauman, a lógica hipercapitalista configura uma conjuntura social individualista e egocêntrica, onde não há empatia ou uma visão humanitária para com o próximo. Diante disso, uma pesquisa realizada em 2017 pelo site Comunica que Muda inferiu que cerca de 98% das menções negativas em redes sociais estão relacionadas ao racismo, e cerca de 94%, à homofobia. Tais índices deprimentes permitem concluir que elementos como a cor da pele ou a opção sexual dos indivíduos, fatores que deveriam ser respeitados pela população, são alvos de discriminação e ofensa.

Nesse perspectiva, segundo dados da Organização Não Governamental Safernet, entre os anos de 2010 e 2013 houve um aumento de 200% no número de denúncias contra páginas virtuais com conteúdos discriminatórios contra as minorias. Nesse mesmo período, ocorreu a popularização dos smartphones e a facilidade no acesso à internet, o que permite correlacionar os usuários virtuais com o aumento exponencial de disseminação do ódio em redes sociais. Dessa forma, os intolerantes do “mundo real” ganharam voz - no teórico anonimato que a internet confere - e confiança - na reclusão permeada pelos objetos de comunicação - sobretudo devido à ausência de medidas governamentais eficazes para prevenir essa situação, o que fere o Estado de Bem-Estar Social de direito dos cidadãos.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para solucionar a problemática apresentada. Assim, a mídia, em parceria com o Ministério da Cultura, deve realizar campanhas nas redes sociais, bem como ações gratuitas como “Abraço Grátis” e “Distribua Sorrisos” em pontos públicos da cidade, com o intuito de estimular a empatia e o olhar humano ao próximo, além de promover o respeito às diferenças e a valorização da diversidade. Ademais, o Governo Federal deve investir uma maior porcentagem da Receita Federal, por no mínimo seis meses, nos serviços de Tecnologia da Informação, a fim de desenvolver e aplicar novos meios de rastreamento dos usuários, pondo fim ao anonimato virtual. Dessa forma, a herança histórico-cultural do Brasil poderá ser reformada.