Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 28/08/2018

A Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII, proporcionou o crescimento massivo de novas tecnologias. Além disso, esse progresso ampliou-se exponencialmente com o advento da Revolução Tecno-Científica, criando ferramentas que possibilitaram a rapidez das comunicações. Nesse contexto, as relações no âmbito virtual foram sendo aderidas por milhares de indivíduos. Contudo, no Brasil, a liberdade de expressão nesse meio passou a ser interpretada erroneamente, visto que a intolerância e o discurso de ódio persistem nas redes sociais. Isso ocorre uma vez que há não só a negligencia do Estado  quanto a baixa atuação das famílias e escolas.

Convém ressaltar, a princípio, que a mínima intervenção estatal em assegurar a proteção aos internautas acaba contribuindo para discursos  intolerantes e de ódio. Essa realidade, infelizmente, reverbera em episódios como o da atriz Taís Araújo, que depois de postar uma foto numa rede social recebeu várias críticas racistas. Semelhante ao caso dela,outras pessoas sofrem difamações por conta da cor, sexo ou religião. Entretanto, muitos desses fatos acontecem devido a má informação  sobre a existência de leis que punem tais atos. Nesse sentido, o Marco Civil da Internet precisa ser mais divulgado para que os indivíduos conheçam não somente as regras, mas as punições cabíveis.

Outrossim, é válido frisar que a baixa atuação das famílias e escolas proporciona o surgimento de criminosos em potencial para cometer ações impensadas nas redes sociais. Conforme o filósofo inglês Jhon Locke, o ser humano nasce como uma folha em branco, sem conhecimento, e o adquire por meio das experiências.De modo análogo, as crianças e adolescentes são influenciadas pelo meio que vivem, modelando a personalidade de acordo com os exemplos vistos pelos pais e amigos. Todavia, em muitos casos, a família permite ao jovem o acesso irrestrito à internet, sem verificar o que ele está fazendo. Ademais, grande parte das instituições de ensino não orientam os alunos a agir corretamente seja no uso consciente das redes, seja em procurar ajuda se forem vítimas.

Evidencia-se, portanto, que cabe ao Estado, na figura do Poder Executivo e Legislativo, a distribuição entre federações e municípios de um sistema de inteligência especializado no combate ao crime virtual, por meio de investimentos oriundos de impostos e melhoramento das leis existentes, com o objetivo de que o sentimento de impotência e letargia do governo sejam eliminados.Some-se a isso, a adoção de ferramentas tecnológicas como  aplicativos que detectam as mensagens preconceituosas, com a finalidade de facilitar a vida das vítimas. Por fim, é fundamental que  o Ministério da Educação, em parceria com as escolas e famílias  esclareça, mediante palestras, aulas, além de diálogos,  a mensagem de que o respeito, a denúncia e a procura correta de ajuda poderá resolve esse impasse .