Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 13/08/2018
Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, apresenta a face do brasileiro: o homem cordial. Hoje, esse conceito entra em conflito com os brasileiros presentes no mundo virtual, pois atrás das telas e amparados pela falsa segurança dada pela internet se revelam muitos cidadãos que cheios de preconceito semeiam ódio nas redes sociais.
No mundo virtual é visto tudo aquilo que é vivido no dia a dia. Há quem se espante com a quantidade de postagens dotadas de preconceito ao entrar em uma rede social, porém o que se vê ali é o espelho da sociedade atual. Segundo Èmile Durkheim, os fatos sociais - como as formas de agir, pensar e sentir - são dotados de exterioridade, fenômeno que atua sobre os indivíduos impondo a organização social já existente. Dessa forma, vê-se que o racismo, a homofobia, a misoginia e a intolerância religiosa parecem estar enraizados em grande parte dos brasileiros devido ao histórico escravocrata, patriarcal e de hegemonia cristã do país.
Com o crescimento de leis que protegem minorias, a voz do agressor é diminuída nas relações diretas e, por isso, utiliza-se do mundo virtual para a disseminação do ódio. As pessoas têm mais segurança ao se expressarem atrás das telas, e esse conforto trazido pela rede social tornam propícios os crimes motivados pelo preconceito. Porém, essa proteção não é verdadeira, pois apesar da crença de que a internet é uma terra sem lei, os preconceitos continuam sendo intoleráveis e as leis já existentes são aplicadas da mesma forma no meio virtual. Como ocorreu no ano de 2016, em que os atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank prestaram queixas contra ataques racistas que sua filha, Titi, estava sofrendo nas redes sociais.
Visto que a origem da intolerância no meio virtual está relacionada a mentalidade da sociedade, é necessário que o preconceito seja combatido no dia a dia e em todas as situações. Para isso, deve-se ter a preocupação de contar a história do Brasil e suas marcas na sociedade atual. Essas informações devem ser discutidas em salas de aula, novelas, filmes, rádio e outros meios de comunicação. Além disso, para combater a intolerância nas redes, faz-se necessária a ampliação de delegacias especializadas em crimes virtuais, a partir da exigência de uma unidade em cada estado amparadas com profissionais qualificados na área, para que seja dada uma maior assistência à vítima. Com essas medidas, espera-se que o homem cordial se torne, enfim, o retrato mais fiel do brasileiro.