Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 11/08/2018

Desde o século XX, com a trágica experiência nazifascista, o mundo possui um claro exemplo do potencial destrutivo da intolerância e do ódio. Infelizmente, com o advento da globalização e toda a modernidade ligada as redes sociais, ainda é possível observar o desvirtuamento do direito fundamental de livre manifestação em prol da banalização do ódio. A constante evolução de discursos com a finalidade de segregar e denegrir, intimamente ligados a carências educacionais, vem ganhando relevância, exigindo da sociedade e do estado intervenção e responsabilidade.       Primeiramente, o discurso de ódio está pautado na ausência de um pensamento crítico equilibrado, portanto, com origens que nos remetem a falta de educação de qualidade e preconceitos enraizados na sociedade. Segundo Émile Durkheim, o individuo só pode agir na medida em que aprende a conhecer o contexto no qual está inserido. Como consequência da falta de compreensão acerca da conjuntura social, o discurso de ódio despreza direitos fundamentais, como a liberdade de expressão, pensamento e igualdade, consagrados em nossa constituição.

Embora as redes sociais tenham afetado positivamente as relações interpessoais - dando voz às pessoas - também potencializaram a inflexibilidade de manifestações discriminatórias e preconceituosas. Declarações amparadas num pretenso anonimato e inimputabilidade tem criado um ambiente virtual carente de criticidade e totalmente nocivo a coletividade, que reproduz anos de distorções sociais com a velocidade e alcance característicos da internet.

Nesse sentido, infere-se que a desconstrução do discurso de ódio e intolerância deve voltar-se a educação qualificada do individuo. Para tanto, a comunidade e estado, através dos Ministérios da Educação e Tecnologia, devem fomentar o enfrentamento da questão em palestras e debates, nas escolas e também em espaços virtuais, desconstruindo preconceitos e levando criticidade aos indivíduos. Com coparticipação o meio virtual tornar-se-á um espaço muito mais fértil às boas práticas cidadãs.