Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 07/08/2018

Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, apresenta a verdadeira face do brasileiro: o homem cordial. Hoje, esse conceito pode ser visto apenas como uma utopia, pois atrás das telas se revelam muitos cidadãos que cheios de preconceito e intolerâncias semeiam ódio nas redes sociais.

No mundo virtual é visto tudo aquilo que é vivido no dia a dia. Há quem se espante com a quantidade de postagens dotadas de preconceitos ao entrar em uma rede social, porém o que se vê ali é o espelho da sociedade atual. O racismo, a homofobia, a misoginia e a intolerância religiosa parecem estar enraizados em grande parte dos brasileiros devido ao histórico escravocrata, patriarcal e de hegemonia cristã do país.

Com o crescimento de leis que protegem minorias, a voz do agressor é diminuída nas relações diretas e, por isso, utiliza-se do virtual para a disseminação do ódio. As pessoas têm mais segurança ao se expressarem atrás das telas, e esse conforto trazido pela rede social tornam propícios os crimes motivados pelo preconceito. Porém, essa proteção não é verdadeira, pois apesar da crença de que a internet é terra sem lei, os preconceitos continuam sendo intolerados e as leis já existentes são aplicáveis no meio digital da mesma forma.

Visto que a origem da intolerância no meio virtual está relacionada a mentalidade da sociedade, é necessário que o preconceito seja combatido no dia a dia e em todas as situações. Para isso, além do incentivo à denúncia, deve-se ter a preocupação de contar a história do Brasil e suas marcas na sociedade atual. Essas informações devem ser discutidas em salas de aula, novelas, filmes, rádio e outros meios de comunicação. Além disso, para combater a intolerância nas redes, faz-se necessário a ampliação de delegacias especializadas em crimes virtuais para que seja dada uma maior assistência à vítima. Com essas medidas espera-se que o homem cordial se torne, enfim, o retrato mais fiel do brasileiro.