Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 23/07/2018

A partir da década de 1990, com a grande expansão da internet e com o surgimento das redes sociais, a comunicação tornou-se mais dinâmica, conectando pessoas e permitindo o compartilhamento de informações em tempo recorde. No entanto, apesar de todos os benefícios trazidos por essa tecnologia, vê-se também um problema que é maximizado por ela: a disseminação do discurso de ódio. Nesse sentido, por estar muito em voga na contemporaneidade e gerar consequências problemáticas faz-se imprescindível não só analisar as razões para a existência de tais manifestações intransigentes, mas também buscar meios para mitigar a situação.

Segundo a lógica do sociólogo Zygmunt Bauman, o homem atual é egoísta e sem empatia e, por isso, tem dificuldade de compreender e respeitar o próximo. Sob essa perspectiva, percebe-se que a individualidade e a intolerância, presentes no Brasil, são problemas fortes na hodiernidade e causas principais da existência do discurso do ódio. Logo, as redes sociais servem como mecanismo para espalhar ideias ofensivas que estão presentes na mentalidade da população, a qual, no país, já possui um histórico de preconceito e hoje convive com polarizações e extremismos políticos e econômicos.          Ademais, o sentimento de impunidade contribui para a existência da questão. Isso porque, por estarem encobertos por perfis fakes, os agressores tem a falsa sensação de que não serão rastreados e se sentem livres para destilar racismo, misoginia, machismo e xenofobia na internet. Exemplo disso foram os ataques racistas cometidos, através de contas falsas no Instagram, contra Titi, filha adotiva de famosos atores brasileiros. Além disso, muitas pessoas ainda acreditam que estão apenas exercendo sua liberdade de expressão e não propagando o ódio. Por conseguinte, esse pensamento retrógrado se reflete no número de comentários hostis, que têm crescido cada vez mais, prova disso é o dado da pesquisa Comunica que Muda, que mostra que esses comentários representam cerca de 84% do total.       Torna-se evidente, portanto, que o discurso de ódio nas redes sociais é problemático no Brasil e no mundo e medidas são necessárias para atenuá-lo. Primeiramente, é dever do Estado, por meio do MEC, buscar seguir a ideia de ‘cultura da paz’ de Paulo Freire -a qual afirma que a escola deve ser um local de compreensão e tolerância- para isso devem ser distribuídas, nas escolas, cartilhas e kits educativos que tratem sobre a importância do respeito às diferenças e sobre o bom uso das redes sociais; isso, com o intuito de ensinar, desde a infância, as noções de respeito essenciais para formar adultos conscientes. Outrossim, a mídia deve, através de ficções engajadas, expor as consequências prejudiciais do discurso do ódio na vida das vítimas desse, e exemplificar formas corretas de lidar com a situação. Tudo isso com o fito de permitir que a tecnologia traga apenas benefícios para a sociedade.