Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 24/06/2021
De 1994, em um dos episódios da série “Emergency room”, após desabafar sobre o preconceito que enfrentou por ser travesti ao dr. Carter e, então, ser discriminada pelo próprio médico, a paciente Charleston resolve se suicidar ao pular do topo do hospital. De maneira análoga, hodiernamente, assim como a personagem, inúmeros seres humanos sofrem por causa da intolerância e do discurso de ódio existente em nossa sociedade. Nesse sentido, em razão de reflexos históricos e de uma educação deficitária, emerge um problema complexo — o qual precisa ser revertido urgentemente.
Diante desse cenário, vale destacar que um passado marcado por uma hierarquia racial reflete, diretamente, no comportamento de uma boa parcela da sociedade atual. Sob esse ângulo, mesmo com a abolição da escravidão em 1888, os ex-escravos não tiveram seus direitos assegurados, o que, com uma mentalidade marcada pelo Darwinismo social, tornou-os ainda mais marginalizados. À vista disso, é perceptível que, mesmo depois de mais de um século, todo o etnocentrismo presente no Brasil já é algo enraizado na mentalidade da população, uma vez que, por exemplo, comentários racistas, marcados pela agressividade, são muito comuns nas redes sociais — o que, cada vez mais, torna vulnerável esse grupo de pessoas. Assim, essa situação calamitosa respresenta um grave retocesso e causa um dos mais graves impasses ao mundo: o preconceito contra às minorias.
Ademais, é importante salientar que a falta de uma educação libertadora é algo que viabiliza a discriminação. Nesse viés, consoante Immanuel Kant — filósofo pós-moderno —, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange à fúria contra os grupos que se tangenciam do padrão homem, hétero e branco, nota-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os entraves coletivos, uma vez que não aborda esse conteúdo nas salas de aula. Com efeito, é realidade a continuação da repulsa às mulheres, gays e negros, uma vez que, por exemplo, é fato que eles têm mais dificuldades de conseguir emprego. Assim, um caminho para se combater a intolerância é usar a ideia de Kant: fazer o homem crescer intelectualmente a partir de um bom ensino.
Infere-se, portanto, que a mídia, que tem papel na curadoria, organização e legitimação das informações, desenvolva oficinas, que abordem sobre o machismo, a homofobia e o racismo, por meio das redes sociais, com o intuito de fazer todo o corpo social entender e, com isso, combater tais males. Por sua vez, o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, precisa abordar, especialmente, a importância de apoiar as diferenças, a fim de tornar as próximas gerações mais empáticas. Dessa forma, espera-se frear a intolerância e o discurso de ódio contra as minorias.