Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 15/06/2021
A série de comédia “Brooklyn Nine-Nine”, produzida em 2013, apresenta a rotina de detetives em uma delegacia do Brooklyn, a qual é comandada pelo capitão Holt, um homem negro e homossexual. Nessa produção, apesar do tom humorístico, as dificuldades enfrentadas por Raymond Holt, devido ao preconceito do corpo social, expõem a problemática falta de inclusão dos grupos sociais excluídos na sociedade atual e a intolerância existente. Nesse contexto, tal impasse está relacionado às raízes históricas e à ausência de empatia dos brasileiros com as minorias, o que demonstra a necessidade de reverter essa situação.
Em primeiro lugar, a marginalização de indivíduos por causa da orientação sexual, raça, religião, condição física e nacionalidade não é recente na história da humanidade. Nesse viés, o Holocausto, ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, foi marcado pelo genocídio não só de judeus, mas também de homossexuais e Testemunhas de Jeová, por exemplo. Dessa maneira, a perseguição de pessoas desfavorecidas socialmente e os discursos de ódio não se encerraram após o fim do conturbado período de extermínio em massa de minorias devido à ausência de medidas que possam promover a proteção desses grupos, o que contribui para que o número de mortes desses indivíduos aumente anualmente, tendo em vista que o Brasil, em 2017, foi o país com o maior número de assassinatos de cidadãos da comunidade LGBTQIA+ e de jovens negros, de acordo com a Anistia Internacional.
Em segundo lugar, a participação insuficiente do corpo social a favor da proteção e garantia de inclusão das minorias sociais implica a permanência da problema. Nesse sentido, o egocentrismo dos brasileiros, ou seja, a preocupação apenas individual, a qual despreza o sentimento de coletividade, impede que o cidadão tenha empatia, tendo em consideração que tal impasse não o afeta diretamente. Logo, em destaque a fala do escritor Franz Kafka, o qual afirma que “a solidariedade é o melhor sentimento que expressa respeito pela dignidade humana”, é crucial a compreensão de que o ser humano deve agir em prol do bem-estar coletivo para que o cidadão brasileiro não sofra preconceito assim como o capitão Holt sofreu na série “Brooklyn Nine-Nine”.
Para isso, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve criar campanhas e publicidades que visam promover a conscientização do corpo social acerca da importância da inclusão social desses grupos. Além disso, elas incentivarão as famílias a lutarem contra as discriminações por meio da denúncia de tais situações em um canal que será criado exclusivamente para esse tipo de queixa, o qual será abrangente e irá assegurar o direito e a segurança de todos os grupos socialmente excluídos, para que aqueles que praticam discursos de ódio sejam identificados e punidos.