Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 27/07/2020
Nelson Mandela, advogado africano, declarou que o ódio é uma prática ensinada, por isso, se alguém adquiri a capacidade de odiar, pode também aprender a amar. Infelizmente, tal declaração ainda não se concretizou na sociedade, sendo extremamente evidente a existência da intolerância e do discurso de ódio contra minorias, na qual, não apenas, mas também, estão inclusos mulheres e negros, indivíduos que lutam diariamente por seus direitos. Assim sendo, torna-se imprescindível que o quadro atual sofra alterações, e que sejam realizadas com o intuito de mitigar os impasses existentes.
Em primeira análise, vale destacar a renomada Teoria da Seleção Natural, proposta por Charles Darwin, a qual explica a seleção dos seres com maior facilidade de adaptação ao meio e a eliminação daqueles que apresentam desvantagens. A teoria se comprova quando comparada às desigualdades de gênero presentes em diversos espaços da sociedade. Diariamente, são expostas na mídia situações que explicitam a desvantagem social em que se encontram as mulheres. Essas disputam contra o padrão vigente convencionado há anos, marcado pelo patriarcado. Atualmente, esse sistema é fortemente agravado pela competitividade e o individualismo pós-moderno, que por defender um único ponto de vista acaba destruindo o diferente.
Ademais, São Tomás de Aquino, filósofo italiano, exprime seu pensamento de forma explícita: todo e qualquer indivíduo membro de uma sociedade democrática possui a mesma importância. Contudo, no Brasil, é perceptível que negros compreendem um grupo demasiadamente desfavorecido, diante de todos os setores da sociedade. Nas universidades ainda são minorias, mesmo sendo provenientes do sistema de cotas raciais, o qual foi instaurado justamente pela ausência de pretos em cursos superiores. Diante desses fatos é nítido a presença da herança histórico-cultural na diversidade, como é o exemplo da colonização brasileira, que foi marcada pela segregação e desigualdade de raças. Atualmente, negros ainda são alvos de difamações, resquício deixado pela escravidão.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para abrandar as situações atuais. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados, proponha aulas mensais com temas que esclareçam a problemática presente nos discursos de ódio e práticas intolerantes contra as minorias. As aulas em questão devem ser interativas e realizadas com a presença de indivíduos convidados, que já tenham sido vítimas de práticas intolerantes. Para mais, deve ser levado em conta a idade dos estudantes, sendo abordado de forma menos chocante para a educação infantil. Mediante o exposto, espera-se que com essa medida a realidade atual seja convertida.