Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 19/04/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, quando se observa a intolerância e o discurso de ódio contra minorias no Brasil, verifica-se que a realidade é o oposto do que o autor prega, seja pela falha no sistema educacional, seja pela negligência governamental.

Precipuamente, deve-se ressaltar que a educação é o fator primordial para o desenvolvimento de um país. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), atualmente, o Brasil ocupa a nona posição na economia mundial, logo, seria racional acreditar que essa nação possui um sistema público de ensino eficiente. Porém, isso não ocorre na prática, e o resultado desse contraste é claramente refletido na naturalização e banalização da violência contra minorias. Nesse sentido, segundo o Atlas da Violência de 2019, mais de 75% das vítimas de homicídios, no Brasil, são grupos minoritários.

Faz-se mister, ainda, salientar a negligência governamental como impulsionadora do problema. Desse modo, o governo, mediador das ações sociais, é o responsável por garantir bem-estar da população, todavia, isso não ocorre no Brasil. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, torna-se essencial a resolução da problemática, a fim de diminuir a ocorrência desse cenário deletério.

Portanto, é de suma importância que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Dessarte, com o intuito de mitigar os efeitos da intolerância e do discurso de ódio, urge que o Ministério da Educação (MEC) crie, por meio de verbas governamentais direcionadas pelo Tribunal de Contas da União, políticas públicas dentro das escolas que tenham como finalidade inserir a abordagem do tema intolerância em disciplinas como História, Sociologia e Filosofia, discutindo questões éticas e sociológicas, com vistas a combater a discriminação e esclarecer os limites da liberdade da expressão. Somente assim, a sociedade poderá alcançar a “Utopia” de More.