Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 17/09/2019
A palavra intolerância vem do latim intolerantia e significa incapacidade de aguentar, impaciência. Nesse sentido, é notória, em um contexto histórico, a incapacidade, no geral, do ser humano viver com o diferente e como consequência se mostrar hostil em relação ao outro, mediante discursos de ódio. Convém ressaltar que as minorias sociais são consideradas ‘‘diferentes’’, pois não seguem os padrões impostos hegemonicamente, logo são frequentemente as vítimas de manifestações intolerantes e odiosas.
Paralelo a isso, a internet tem um papel disseminador na medida em que fatores como maior alcance de pessoas e a rápida propagação dominam, além do fomento que o anonimato pode proporcionar já que estar com a identidade invisível pressupõe a essas pessoas a liberdade de falar qualquer coisa. Ademais, o fenômeno da câmara de eco predomina também em meios virtuais em que uma rede de pessoas se une para compartilhar notícias seletivas que reforcem suas visões.
Outrossim, o psicólogo Sigmund Freud, em sua obra Psicologia das Massas e a Análise do Eu, investiga o funcionamento de grandes grupos e os seus mecanismos inconscientes que acabam persuadindo indivíduos a seguir pensamentos de forma acrítica. Da mesma forma, a filósofa Hanna Arendt quando discute a banalização do mal discorre que o ódio se torna usual a medida que as pessoas passam a agir sem raciocinar e reproduzem comportamentos intolerantes caracterizando essas atitudes como normais.
Urge, portanto, que o Estado crie leis que julguem os crimes no âmbito virtual da mesma forma que o mundo ‘‘real’’ e invista em departamentos específicos para deliberar essas infrações a fim de mitigar a morosidade, além de coibir esses delitos. Ainda, compete aos meios midiáticos a inserção de diversidade e da demonstração de como a convivência pode e deve ser pacífica seja em novelas, séries, jornais e outros programas, no intuito de desfazer preconceitos há tempos cristalizados.