Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 09/09/2019
De acordo com o artigo primeiro da Constituição de 1988, um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é a dignidade humana. Entretanto, com o elevado número de casos registrados de preconceitos contra minorias, de acordo com pesquisa divulgada pela FIPE, o país apresenta graves falhas para coibir essas atitudes. Nesse sentido, a ineficácia do Estado e o individualismo colaboram para que haja uma maior dificuldade de garantir a qualidade de vida, visando aspectos físicos e psicológicos da população.
De início, é inegável que a negligência do governo brasileiro corrobora para que os direitos de todos não sejam cumpridos. Nesse contexto, segundo John Locke, o Estado é responsável por garantir e proteger os direitos dos cidadãos, como à vida e à liberdade. Contudo, essa garantia não é percebida, haja vista que, apesar da garantia de direitos iguais perante à lei, presente na Constituição de 1988, ainda são registrados casos diários de ações negativas contra grupos da população, tais como discriminação por cor, religião, opção sexual, seja na escola, no trabalho ou na rua. Como resultado disso, o ser humano que sofre algum caso de preconceito poderá desencadear problemas psicológicos e sobrecarregar as unidades públicas de saúde para contornar tal mazela.
Outrossim, cabe abordar o impacto na sociedade em função desse imbróglio. De acordo com o filósofo Sartre, o homem deve zelar pelo coletivo em detrimento do individual, uma vez que está articulado em uma comunidade. No entanto, a sociedade, atualmente, rompe com essa lógica altruísta, visto que os atos ofensivos não são analisados de acordo com a sua consequência. De modo que, com o aumento das ações preconceituosas, gerará segregações dos grupos e maiores conflitos entre eles, tais como são identificados agregações por indivíduos da mesma cor contra os de opções sexuais ou deficientes físicos. Como reflexo disso, a sociedade desenvolve pessoas, cada vez mais, intolerantes com o próximo e poderá desencadear aumento da violência em função disso.
Fica evidente, portanto, que ações são necessárias para reverter esse panorama. Para que isso ocorra, cabe ao Poder Executivo investir na educação e na capacitação de profissionais da área. Tal ação deve ocorrer por meio de parcerias com ONG e escolas para difundir, em cartazes e mídia, que a diferença na aparência não representa inferioridade, mas que isso pode ser um fator de intercâmbio de experiências. Espera-se, com isso, que os cidadãos unam-se em prol do bem comum, tais como poder usufruir da vida social, trabalho e educação de qualidade como qualquer outra pessoa. Afinal, somente assim haverá respeito ao dispositivo constitucional e será honrado o direito de todos os cidadãos.