Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 26/08/2019
No século XVIII no Brasil ocorreu um movimento social denominado de “Conjuração Baiana” que visava muito além da emancipação política do país, mas também pregavam uma ordem social mais justa, que incluía o fim da escravidão e todas as formas de preconceito. Atualmente, é possível identificar a perpetuação das práticas discriminatórias, fruto de uma herança de desigualdades e pouca efetividade da resolução desse problema nacional. Destarte, é fundamental analisar as razões que tornam essa problemática uma realidade no mundo contemporâneo.
Inicialmente, as práticas discriminatórias por tentarem transmitir certos modos de ser e por buscar validar determinados conhecimentos em detrimento de outros, estão intimamente ligados as relações entre diferentes grupos sociais. Desse modo, manutenção da intolerância e dos discursos de ódio no país sustentam dinâmicas mais amplas, referentes à desigualdade social brasileira. De acordo com Michel Foucault, as relações de poder, tem como função legitimar o poder de alguns e condicionar a submissão dos demais. Esse pensamento do filósofo francês evidencia a demanda por medidas governamentais eficazes, com o intuito de extinguir as estruturas que alimentam as formas de preconceito, assim como foi reivindicado anos atrás dentre dos ideais da Conjuração Baiana.
Ademais, a prática discriminatória não restringe seu impacto somente ao sujeito que é diretamente agredido, mas também a toda a comunidade que o cerca. Os reflexo desse contexto abrange desde o sentimento de exclusão e a impotência no indivíduo, quanto manifestações coletivas de resistência contra a violência sofrida, como o caso da “revolta da chibata”, ocorrida no Rio de Janeiro em 1910, em que marinheiros negros rebelaram-se contra as violências físicas e morais sofridas pelos demais militares brancos. Os quais, após tomarem o comando dos navios da marinha brasileira, ameaçaram bombardear cidades caso as práticas discriminatórias não cessassem. De acordo com o poeta chileno Pablo Neruda: “você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências” esse pensamento propõem a reflexão acerca da importância de mensurar as consequências o preconceito permeado na sociedade atual.
Com o objetivo, portanto, de minimizar a intolerância e os discursos de ódio, é necessário que o Governo Federal desenvolva mecanismos que aumentem representatividade política dos grupos minoritários, por meio de um projeto de lei que estabeleça cotas em cargos políticos a ser enviado ao Poder Legislativo, para que desta forma seja alcançado maior engajamento da causa e possibilite equiparar das diferenças sociais, econômicas e políticas da sociedade atual.