Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 25/10/2022

Em seu livro “Admirável Mundo Novo”, o escritor inglês Aldous Huxley aborda uma realidade distópica, cujos gostos do corpo social são condicionados por influências externas, acarretando no detrimento da autonomia do pensamento. Todavia, longe da ficção, nas redes sociais da sociedade contemporânea, verifica-se um cenário semelhante, com os assim chamados influenciadores digitais impactando diretamente nas decisões consumistas da população. Portanto, torna-se necessária a análise dessa problemática, buscando suas causas, consequências e possíveis soluções.

Primeiramente, é pertinente abordar a ingenuidade da população perante influências consumistas. Parafraseando o sociólogo alemão Karl Marx, o “fetichismo da mercadoria” corresponde ao ato de compra que é realizado não por necessidade real, mas por uma felicidade fantasiosa e efêmera. Sob essa óptica, os influenciadores digitais atuam, visando repassar a ideia de uma vida bem-sucedida, ilusoriamente associada à utilização dos produtos divulgados, em troca de comissões monetárias de seus fabricantes. Dessa forma, o consumidor é vítima de mais uma artimanha da sociedade capitalista, em decorrência da ausência de debates que o conscientizem acerca de tal impasse.

Ademais, apesar da Constituição Federal de 1988 assegurar o direito à verdade, não é isso o que ocorre na prática. Sob esse viés, mesmo havendo a liberdade expressiva nos meios comunicativos e redes sociais, os órgãos governamentais não monitoram as informações difundidas, a fim de esclarecer a população e filtrar propagandas enganosas. Essa falha estatal contribui para a atuação explícita dos 10,5 milhões de influencers brasileiros (conforme afirma a Nielsen Holdings), pois eles possuem o conhecimento de que não serão punidos.

Portanto, torna-se necessária a atuação do Estado, por meio do MEC em conjunto com a mídia, utilizando de propagandas que evidenciem a vulnerabilidade populacional, exemplificando os malefícios dos influencers no que se refere ao consumo. Esses comerciais devem ser difundidos nas redes sociais, objetivando a reflexão comportamental, sobretudo na internet. Dessa forma, será possível a construção de uma sociedade consciente, destoante da abordada por Huxley.