Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
Com o advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional, houve o desenvolvimento do processo de globalização, responsável por difundir os meios de comunicação em escala mundial. Nesse contexto, a internet tornou-se um meio de constante divulgação de conteúdos e serviços, dando origem aos influenciadores digitais, característicos do século XXI. Desse modo, é nítido que suas atitudes provocam impactos nocivos nas decisões do seu público virtual por meio da manipulação, implementando uma cultura de exclusão das camadas mais carentes, bem como degradando severamente o pensamento crítico do seu público virtual.
Em primeira análise, é imprescindível salientar que esses indivíduos ligados à propagação de ideias nos meios digitais são um obstáculo ao estabelecimento de uma sociedade diversificada. Sob tal ótica, segundo Bourdieu, célebre sociólogo francês, elementos criados para serem instrumentos de democracia direta jamais devem ser convertidos em mecanismos de opressão simbólica. Nessa perspectiva, é explícito que a promoção de certos pensamentos na internet por um conjunto de influenciadores digitais tende a instaurar um sistema em que aqueles que discordam da ideologia predominante nas redes sociais são desprezados por manifestarem pontos de vista divergentes. Essa marginalização provocada por esse grupo social contrasta com o ideal democrático.
Além disso, convém abordar que os métodos utilizados por parte dos influenciadores virtuais para manipular o pensamento coletivo promovem a formação de uma comunidade com ausência de raciocínio analítico. Nesse viés, conforme Arendt, ilustre filósofa alemã, a irreflexão populacional induz a constituição de um ambiente em que atitudes perniciosas deixam de ser consideradas como tal. Dessa forma, ressalta-se que a padronização dos comportamentos dos membros do corpo social é consequência direta da atuação dos cidadãos que falsificam seus reais pensamentos para alcançar maior número de seguidores. Assim, a intolerância, lamentavelmente, torna-se uma atitude generalizada.
Evidencia-se, portanto, que o Estado deve intervir nessa precária conjuntura nacional. Para tanto, faz-se mister que o Ministério da Educação fomente, por meio da destinação de verbas à área em questão e do estudo de educadores, a criação de disciplinas escolares relacionadas ao estímulo ao uso adequado da internet por jovens estudantes, contratando-se profissionais especializados em áreas tecnológicas, os quais guiarão os alunos nessas atividades. Dessa maneira, esse projeto, que apresenta como objetivo garantir o pensamento individual dos alunos e evitar a manipulação nas redes, será capaz de reduzir, paulatinamente, os prejuízos decorrentes da 3ª Revolução Industrial.