Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 03/08/2021
No filme de 2009 “Amor por contrato”, é retratada a história de um grupo profissionais de marketing que, a pedido da empresa a qual trabalham, se mudam para um cidade fingindo ser um família perfeita para estimular as vendas dos seus chefes. Ao longo da trama, a narrativa mostra como as pessoas que passam a conhecê-los começam a dejesar cada aquisição que eles fazem, mesmo sem a necessidade de ter aquele produto, por crerem na conquista dessa vida. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no filme pode ser relacionada àquela no século XXI: O endeusamento dos influenciadores na era digital e por conseguinte o consumo ignorante.
Em primeira análise, é importante destacar que há, na atualidade, uma imposição do público sobre a celebridade digital a uma cadeira de divindade. Existe uma crença de que uma postagem no Instagram sobre a rotina de um influenciador consegue mostrar todo o seu dia, essência e vivência, todavia, essa não é a realidade. Nesse contexto, pode-se citar, por exemplo, o caso da jovem Dee, uma influenciadora com milhões de seguidores em uma rede social na qual ela inspirava seus fãs a quererem aquela vida, mas que, recentemente, cometeu suicídio por problemas com sua saúde mental, os quais seu público não sabia sobre. Nesse sentido, fica clara a problemática sobre o endeusamento dessas pessoas: Essa maior proximidade com o público leva à afirmação de que se conhece totalmente a quem se segue, quando, na prática, um vídeo de 20 minutos não é capaz de mostrar todas as faces de uma pessoa.
Em consequência do supracitado, torna-se comum o consumo desenfreado e ignorante baseado nas indicações das pessoas seguidas, sem se importar com a origem, a confiabilidade ou o preço, tudo em busca dessa vida vista como perfeita. “É preciso casar João, é preciso crer em Deus, é preciso comprar um rádio”; Nesse trecho do texto “poema da necessidade” de Carlos Drummond de Andrade, vê-se, apesar de seu diferente contexto, uma simplifação da relação entre os seguidores e o influente da era digital, como se houvesse uma lista de passos para encontrar aquela realização completa, como se comprar uma certa marca de roupas ou um certo suco de emagrecimento, por exemplo, fosse, enfim, a fórmula para a felicidade.
Depreende-se, portanto, que esse impacto nas decisões de consumo do público é um problema estrural, que começa desde a visão do seguidor sobre o influenciador. Assim, para que haja uma maior humanização e, por conseguinte, questionamento dos influenciadores, urge que plataformas digitais tenham um controle maior sobre o que é compartilhado por grandes perfis por meio da criação de um algoritmo de exigências mínimas como a não divulgação de marcas sem uma pré avaliação de seus produtos. Somente assim será possível uma relação mais saudável com as redes e com o consumo.