Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 26/07/2021
O filme “Modo Avião” aborda a temática do vício no celular e nas redes sociais. Na obra, Ana, a protagonista, é uma jovem influenciadora digital que tem um contrato com uma marca de roupas, mas, após um acidente de trânsito por uso do celular, seus pais restringem seu acesso à internet e a mandam para uma temporada em um sítio isolado. Fora da ficção, o ambiente digital também apresenta reflexos na sociedade. Nesse âmbito, vários influenciadores que trabalham com marketing como a Ana impactam de forma direta nos hábitos de consumo da população. Todavia, esse cenário pode gerar efeitos negativos caso seja tratado com irresponsabilidade. Tal problemática persiste por raízes sociais e psicológicas, as quais devem ser analisadas.
Em primeiro lugar, é importante destacar a teoria de Thomas Hobbes de que “o homem é o lobo do homem”. Segundo o sociólogo, as pessoas apresentam uma ameaça à própria espécie, visto que são individualistas e se colocam sempre em primeiro lugar. Sob tal ótica, o vínculo entre o consumo e o ambiente digital representa relações de interesses, já que vários famosos influentes se importam apenas com a questão monetária, divulgando marcas e produtos que nem sempre são eficientes ou que não respeitam os direitos básicos do consumidor. Por conseguinte, o público se frustra ao adquirir mercadorias que não o satisfaz.
Além disso, é relevante associar a temática ao livro “A Sociedade do Espetáculo”, de Guy Debord. De acordo com o escritor, a humanidade estariam vivendo como se apresentasse uma perfomance, isto é, sempre tentando impressionar os demais. Assim, muitos internautas fazem compras somente na intenção de seguir as tendências, em uma tentativa rasa de fazer parte da sociedade moderna. Nesse viés, de acordo com dados da Qualibest, cerca de 73% dos usuários das redes sociais afirmam ter comprado produtos por influência na mídia, o que comprova a grande dimensão da situação. Como consequência, além de aquisições desnecessárias, surgem as comparações com outras pessoas pelos bens materiais, o que leva à cobiça e à superficialidade.
Observa-se, portanto, que as razões de ordem social e psicológica apresentadas causam impactos negativos nas decisões de consumo e na vida da população. Destarte, é necessário que o governo atue na defesa do comprador virtual. Isso deve ser feito por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados, estabelecendo o PROCON, órgão de proteção do consumidor, como intermediário entre empresas e influenciadores, para que garanta que os últimos façam testes de merdadorias e serviços e só indiquem aos seguidores o que for de confiança, além de definir um limite de publicidades por mês, a fim de evitar abusos e assegurar bons efeitos no consumo popular.