Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 25/06/2021
Chiquititas, novela exibida pelo SBT, retrata a realidade de crianças que estão em um orfanato a espera da adoção, porém quanto mais a idade desses menores avança, mais difícil é ingressar no seio de uma nova família por intermédio desse acolhimento. De forma análoga, o mesmo acontece, infelizmente, no Brasil, visto que os impasses no processo de adoção são cada vez maiores, sendo a idade dos desamparados apenas um deles. Nesse sentido, emerge um grave problema que tem como causas a resistência a faixa etária e a lenta mudança da mentalidade social.
Primeiramente, o preconceito em relação a idade dos indivíduos a serem adotados é um latente agravante da mazela. Segundo o conceito da Tábula Rasa, de John Locke, quando o ser humano nasce ele é como uma tela em branco a ser preenchida por experiências. Sob essa lógica, esse pensamento pode ser aplicado ao que ocorre com o processo de adoção, o qual enfrenta sérios desafios, pois as pessoas que pretendem adotar visam pela escolha de crianças ou mesmo bebês com a ideia de que eles poderão, de certa forma, ser moldados a base de princípios tradicionais da família que está realizando o procedimento. Com isso, adolescentes e jovens são condenados a atingirem a maioridade em orfanatos.
Em segundo plano, o lento processo de transformação do pensamento social contribui para que a problemática ainda persista. De acordo com Durkheim, a formação do indivíduo se dá mediante à sociedade. Nesse viés, em relação ao processo de adoção no Brasil, um de seus impasses persistentes é o preconceito que permeia a instituição da família, a qual, por inúmeras vezes, é idealizada ao modelo tradicional de um casal formado por uma figura feminina e uma imagem masculina. Sob essa perspectiva, casais homoafetivos são invisibilizados, o que torna a adoção um procedimento ainda mais falho que afeta principalmente as crianças e jovens que aguardam por essa oportunidade.
Portanto, medidas devem ser tomadas para mitigar esse quadro. Para isso, as instituições de amparo a menores devem criar um amplo avento social constituído por palestras e debates, por meio de um projeto social gratuito a ser realizado em espaços públicos. Além disso, a programação deve contar com a presença de agentes do conselho tutelar, para que expliquem sobre o tema, a fim de que, com maior visibilidade, os desafios no processo de adoção no Brasil possam ser combatidos e, consequentemente, minimizados. Assim, espera-se que a situação presente em Chiquititas possa ser evitada pelos brasileiros.