Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 14/06/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e problemas. Fora da ficção,vê-se que a realidade brasileira reflete uma realidade oposta ao roteiro fictício, uma vez que existem desafios sociais como os impasses nos processos adotivos. Esse cenário antagônico é fruto tanto do individualismo/falta de empatia dos adotantes, quanto da burocratização das adoções no que tange à lentidão na aprovação jurídica.
Convém ressaltar, diante dessa realidade, o impasse da postura social frente ao quadro dos jovens disponíveis para a adoção, visto que há preferência por padrões estereotipados pelos adotantes. Nesse sentido, ganha voz o pensamento do filosófo Roman Krznaric, o qual defende que a empatia é a capacidade de colocar-se no lugar do outro, e enxergar o mundo por meio desse olhar, isto é, a empatia não dá espaço ao individualismo e a intolerância. Na esteira dessa ideia, o fato dos interessados nas adoções estipularem padrões desejáveis (brancos, baixa idade, histórico familiar), dificulta a ánalise completa dos jovens a serem adotados, concomitantemente, evidencia uma postura massificada, visto que a possibilidade de escolha contrasta com a presença de milhares de jovens com idade avançada na fila de espera, pois são menos requiridos nos processos adotivos. Assim, fica claro que a ausência de empatia dos adotantes configura-se como um desafio a ser solucionado no cenário adotivo.
Além disso, os indivíduos interessados nos processos adotivos enfrentam dificuldades na realização das adoções, em virtude da burocratização dos processos legais que garantem juridicamente a adoção. De acordo com o sociológo Jacques Derrida, para que ocorra a resolução de impasses sociais faz-se necessário compreender a complexidade dos elementos que compõem o problema, não limitando-se a simplificação das coisas. Partindo desse pressuposto, observa-se que o mesmo aparato legislativo benéfico que protege as crianças proporciona dificuldades aos adotantes pela rigidez das leis, motivo pelo qual a grande parte do interessados perdem o interesse nas adoções. Desse modo, é imprescindivel que o cenário de lentidão nos processos jurídicos seja retirado do caminho adotivo.
Portanto, faz-se necessário a tomada de medidas efetivas visando solucionar os desafios enfrentados pelos processos adotivos no Brasil. “A priori”, compete a mídia- cuja função é democratizar o acesso às informações de caráter relevante-, a promoção de campanhas educativas que abordem sobre a diversidade de crianças/jovens em busca de uma família disponíveis para a adoção, em que serão abordados a história de cada indivíduo, sendo realizadas por meio dos diversos meios de comunicação(jornais, revistas, televisão), com o objetivo de incluir os jovens vulneráveis. Com essas ações, espera-se que as lacunas dos processos adotivos sejam mitigadas, potencializando as adoções.