Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 25/05/2021
Na série “Anne com e”, da Netflix, é retratado os obstáculos no processo de adoção da garota orfã. Inicialmente, Anne é adotada por engano e a família tenta devolvê-la ao orfanato, a exigência da família era adotar um garoto. De maneira análoga a questão dos desafios do processo de adoção no Brasil mostra-se lamentável. Desse modo, esse imbróglio social ocorre devido ao processo burocrático e a incompatibilidade de perfis de crianças escolhidos pelos adotantes.
Nesse sentido, é preciso considerar a burocracia como fator contribuinte da problemática, já que a lentidão do processo faz com que aquela criança fique mais velha, o que ocasiona a desistência dos futuros pais. De acordo com o Conselho Nacional de Adoção, cerca de 75% dos pretendentes cadastrados só aceitam adotar crianças com a idade inferior a 5 anos, entretanto, 77% dos meninos e meninas já passaram dos 10 anos. Dessa forma, é admissível concluir que o entrave percebido no perfilhamento, mostra-se preocupante, porquanto afeta de modo abusivo o público em questão.
Além disso, apresenta-se relevante também pautar sobre a exigência dos adotantes, pois não coincidem com o perfil das crianças disponíveis. Segundo a filósofa Hannah Arendt a “banalidade do mal” consiste na ideia que o pior mal é aquele que passa despercebido, ou seja, como algo comum, uma vez que a sociedade que está acostumada com diversos episódios de discriminação, vê a escassez da escolha de perfis como algo impertinente a realidade do país. Outrossim, esse fator se opõe ao que é demonstrado no filme “O pequeno Stuart Little”, pois a família enfrenta diversos preconceitos ao ir em um orfanato e adotar um camundongo, por ser diferente, Stuart e seus pais sofrem diversas críticas, inclusive da sua própria família. Diante dessa análise, é perceptível que esse estigma pertence a uma circunstância, infelizmente, nociva, o que possibilita efeitos negativos como o aumento de crianças não adotadas.
É imprescindível, portanto, uma atitude efetiva do Estado para solucionar a problemática. Para tal, o Governo Federal deve, por meio da mídia – grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião – promover campanhas que abordem as dificuldades sofridas nos processos de adoção, expondo o sofrimento de crianças que não se encaixam nos padrões desejados pelos adotantes, com a finalidade de extinguir essa discriminação. Somente assim, espera-se que esses impasses de perfilhação sejam solucionados e cada criança possa encontrar um lar.