Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 17/04/2021

De acordo com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), é objetivo fundamental garantir os direito, o bem-estar e um bom convívio familiar das crianças e dos adolescentes bom convívio familiar. Entretanto, tendo em vista a atual situação do país, observa-se que tal objetivo não é realizado, uma vez que grande parte desses indivíduos são descartados dos processos adotivos devido a busca incessante de um perfil idealizado. Diante disso, deve-se analisar como o perfil estipulado pelos adotantes e a demora nos processos que viabilizam a adoção provocam a problemática em questão.          Em primeiro lugar, é válido ressaltar que as expectativas previstas pelos adotantes corroboram para a situação. Nesse sentido, de acordo com o Cadastro Nacional de Ação (CNA), há uma grande quantidade de crianças a serem adotadas, porém 65,68% dessas têm irmãos, possuem doenças, são pardas ou negras, as quais não se encaixam no perfil imposto pela sociedade. Nessa lógica, analogamente a novela Totalmente Demais apresentada pela emissora rede Globo, retrata exatamente isso, uma mulher infértil opta pela adoção apaixonando-se pelo pequeno Gabriel negro e soropositivo e apesar dessas circunstâncias ela insiste até a adoção. Por consequência, é preciso desmistificar a intolerância adotiva que, tragicamente, traz reflexos negativos na questão de apadrinhar um infante.

Em segunda análise, é fundamental enfatizar que a demora dos processos viabiliza a desistência de adoção, conforme o portal de notícias G1. Nesse viés, é fato que a burocracia exagerada por parte do governo atrapalha ainda mais esse processo delicado e prolonga os dias dessas crianças no (CNA). Isso decorre, pois no sistema brasileiro há pouco investimento e assistência de profissionais qualificados a essas ações. Logo, consoante ao pensamento do filósofo Max Weber, o qual definiu que a burocratização é o aparato técnico-administrativo, formado por profissionais capacitados que tem o intuito de promover atividades assertivas a longo prazo. Consequentemente, conforme a lógica imposta pelo alemão supracitado a burocracia tem como objetivo a organização, mas no Brasil é contrário a essa ideia sendo necessário reverter essa imagem negativa e prejudicial ao procedimento de adoção.                 Depreende-se, portanto, que o perfil estipulado pelos adotantes e a demora nos processos que viabilizam a adoção contribuem para a problemática em questão. Sendo assim, cabe ao governo juntamente com o Ministério da Família- órgão responsável pelo bem-estar familiar-, promover políticas públicas. Isso por meio de campanhas e palestras de cunho educativo em prol de disseminar a intolerância adotiva. Além disso, o Estado deve investir na qualidade e eficiência do processo de adoção, liberando verbas para uma boa estruturação do sistema. Só assim, será possível consolidar o ECA.