Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 17/03/2021

Brás Cubas, o autor defunto de Machado de Assis, diz em suas ‘‘Mémorias Póstumas’’, que não teve filhos e, portanto, não transmitiu a nenhum ser o legado da miséria humana. Talvez percebesse acertada sua decisão: pessoas com o anseio em adotar crianças e assim, constituir uma família esbarram em questões de ordem burocrática que dificultam o processo, trata-se dos impasses no desenvolvimento da perfilhação no Brasil. Nesse contexto, nota-se a necessidade de maior debate acerca da temática, além de políticas públicas que dinamizem e facilitem o processo com a devida prudência.

Em primeiro lugar, é importante salientar que a gestação de um filho adotivo pode durar muito mais que 9 meses, dado todo o tramitê até a efetivação da adoção, isso ocorre pela morosidade da esfera judicial, em razão dos inuméros processos e de um deficit de funcionários, como psicológos e assistentes sociais; soma-se a isso questões relativas a imcompatibilidade de perfis, uma vez que a grande maioria dos indivíduos desejam adotar bêbes, brancos e sem irmãos. Assim, é necessário romper a delonga do serviço judicial e também o pré-conceito existente, que juntos são os maiores causadores da disparidade dos números de pessoas que querem adotar: 44.064, com os de crianças e adolescentes disponíveis: 8.914.

Consoante, Carlos Drummond expôs em um de seus poemas que existem situações na vida que se comportam como pedra, ou seja, um empecilho. À vista disso, para remoção dos obstáculos referentes a adoção de crianças e adolescentes, é fundamental que o governo reveja o processo adotado e  dinamize a movimentação, através por exemplo, do aumento de profissionais, a sociedade cabe o amplo debate para desconstrução dos preconceitos de cor, idade e sexo, a mídia por sua vez, pode coolaborar nessa ação pela divulgação e debate atráves de seus veículos de comunicação.

Conforme exposto, fica evidente quão empobrecedora é o estabelecimento de entraves na adoção, uma vez que aumenta o número de crianças que ficam sem o direito de serem criadas e educadas em seio familiar substituto.  Em razão disso, políticas públicas e de cunho social são de grande valia, logo, governo deve impulsionar o processamento e a sociedade expandir concepções para que não ocorra preferências. Tais ações levam a uma comunidade mais humanizada, consciente do valor desse ato e que não admite secregações, criando assim, um cenário do qual Brás Cubas pudesse se orgulhar.