Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 16/03/2021
Do medo a o afeto
É sabido, que o número de pessoas interessadas em adotar é maior que a quantidade de crianças disponíveis, segundo o Correio Braziliense. Essa adversidade ocorre, pois poucos adotantes desejam crianças mais velhas ou com irmãos. Como consequência muitos jovens são obrigados a viver em orfanatos, sem pertencerem a um grupo que o acolha, revelando, assim, as adversidades do sistema de adoção brasileiro.
É fato, que a baixa adoção de crianças mais velhas é um problema. Essa dificuldade ocorre devido ao fato de que elas já passaram pelo primeiro processo de socialização que, para Pierre Bourdier, ocorre no núcleo familiar e determina como ela ira interagir com aqueles ao seu redor, com isso os adolescentes preferem crianças mais novas, pois assim é possível socializa-las de acordo com a moral familiar. Entretanto, esse comportamento impede milhares de crianças que pertencerem a uma família, uma vez que 91% dos cadastrados no Cadastro Nacional de Adoção querem apenas crianças de até seis anos.
Ademais, outro problema que assola milhares de crianças é a dificuldade de adotar irmãos, pois para não separa-los muitos não os adotam. Essa adversidade pode ser explicado pelo que Schopenhauer chamou de pessimismo, uma vez que ao adotar irmãos pelo menos um deles está em idade avançada, ou seja, passou pelo processo primário de socialização. Com isso, devido a imprevisibilidade do comportamento do mesmo os adotantes ficam com medo de adota-los. Como consequência, essas crianças são excluídas desse processo e ficam sem um lar, como evidenciam os dados do Correio Braziliense, nos quais 66% dos adultos não querem adotar irmãos.
Fica claro, portanto, que os problemas referentes a adoção de indivíduos mais velhos e de irmãos são uma adversidade ao processo de adoção no Brasil. Por isso, torna-se necessário ações de incentivo à adoção de crianças acima dos seis anos e de irmãos, por meio da atuação do Ministério da mulher, da família e dos direitos humanos, através de propagandas na televisão e nas redes sociais, incentivando a adoção de crianças acima dos seis anos e de irmão. Isso, com objetivo de diminuir a quantidade de crianças nos centros de adoção, fazendo com que elas ganhem um lar. Desse modo, será possível fazer com que elas sejam acolhidas, acabando, assim, com essa adversidade que assola o país.