Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 10/03/2021

Segundo o filósofo Émile Durkheim, o papel da família é de vital impotância para a sustentação da sociedade e para o bem-estar de seus membros. Com base nisso, evidencia-se o fato de que ter uma relação saudável com pais colaboram para a obtenção de um âmparo emocional e de proteção. Entretanto, nota-se que uma parte das crianças e adolescentes no Brasil não tem direito a esse meio familiar diante impasses da adoção no Brasil, tais como um perfil específico exigido pelos interessados e as consequências na vida adulta aos que nunca foram escolhidos.

Em primeira análise, é possível mencionar que mesmo com uma alta demanda para a adoção, orfanatos continuam abrigando muitos menores em virtude da exigência de brasileiros em crianças pequenas, de cor branca e sem irmãos. Esse tipo de episódio é retratado na série Gambito da Rainha, a qual narra a história da Anye, uma garota que é escolhida pelos pais adotivos porque finge ser mais nova e é de raça branca, em contramão, sua amiga negra nunca foi adotada. Nessa perspectiva, constata-se o preconceito por meio de um padrão visual determinado por brasileiros dispostos a adotar, o qual afeta emocionalmente e dá uma sensação de exclusão aos adolescentes e negros dispensáveis.

Em segundo plano, é evidente também que aqueles não adotados na infância, quando completam dezoito anos, ficam em situação de vulnerabilidade e abandono, pois apresentam dificuldades para lidar com a vida adulta, sem preparo para uma profissão ou para arrumar um emprego. Segundo o site Agência Brasil, a legislação é falha ao não obrigar os municípios a manterem repúblicas para os recém maiores de idade. Sobre isso, é possível observar como esses jovens são excluídos dos serviços de acolhimento e apoio, além de serem afetados pelo alto desemprego no Brasil.

Assim, faz-se importante a atuação da mídia e do governo federal, em promover campanhas de conscientização, por meio de propagandas persuasivas para a normalização da adoção de adolescentes e crianças negras, a fim de desintegrar o preconceito imposto por quem tem interesse em adotar. Em suma, faz-se imprescindível a tomada de intervenções do ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente- em preparar os jovens de orfanato para a vida adulta, através de programas sociais por meio de trabalhos e estudos, além de abrigar e oferecer recursos alimentícios e de saúde aos que completaram dezoito anos. Dessa forma, será possível formar novas famílias diante de seu alto valor, como dizia Durkheim.