Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 03/02/2021
O Mito da Caverna, alegoria escrita por Platão, explica a evolução do processo de conhecimento. Segundo ele, os seres humanos se encontram prisioneiros de uma caverna, em que estão habituados somente a ter uma ilusão do que veem como se fosse a verdadeira realidade. De maneira análoga ao presente, a questão dos impasses no processo de adoção no Brasil pode ser bem representada pelo mito da caverna de Platão, visto que esse é um grave problema que vive às sombras da sociedade, em razão da insuficiência legislativa e da falta de consciência social.
Em primeiro plano, segundo o jornal Estadão, em uma matéria de 2019, o excesso de leis feitas no Brasil prejudicam os processos. Isso se deve pelo fato de que a maioria dos atos normativos trata de forma superficial o assunto, além de tornar certos processos extremamente burocráticos, como na questão da adoção. Em relação a isso, ficam evidentes as inúmeras consequências dessa deficiência de leis, como a demora no processo de adoção, que pode demorar de meses a anos.
Ademais, é fulcral salientar que a filósofa Hanna Arendt, em seu livro “Banalidade do mal”, refletiu sobre o processo de massificação social, onde todos os indivíduos possuem o mesmo padrão de gostos e comportamentos. Quando se trata sobre a dificuldade da adoção no Brasil, é fácil perceber que a ideia defendida por Hanna tem total relação com a temática, visto que nota-se que grande parte dos pretendentes em adotar tem preferência por recém-nascidos, brancos e do sexo feminino. Além disso, muitos preferem não adotar irmãos, o que dificulta o procedimento de adoção. Logo, nota-se que o Estado, como detentor do dever de conscientizar sua população, mostra-se indiferente em relação à problemática, tornando essa uma das causas mais nocivas da questão.
Portanto, o Ministério da Educação, por meio das escolas e universidades, deve criar um projeto socioeducativo, com oficinas, palestras e debates, para promover a conscientização social sobre a adoção, principalmente de crianças e adolescentes. Tais eventos devem ter alcance nacional, inclusive pela internet, com transmissões ao vivo, para que se apresentem as principais questões do tema e para chegar ao máximo de pessoas possível. Espera-se, dessa forma, que a população possa estar inteirada sobre o assunto e que o problema seja minimizado.