Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Na série “O Gambito da Rainha”, a protagonista Beth Harmon após passar grande parte de sua infância em um orfanato consegue ser adotada. Em paralelo à realidade, no Brasil a questão da adoção ainda é repleta de desafios. Sob tal perspectiva, a exigência dos pretendentes e a lentidão no processo são fatores que devem ser alterados a fim de atenuar esse cenário.

Em primeiro caso, convém ressaltar que, os futuros responsáveis tem quesitos extremamente seletivos na hora da adoção. Isso porque, além de fatores como cor, deficiência e presença de irmãos influenciar no processo, apenas 1% dos pais aceitam crianças acima dos 10 anos, de acordo com uma simulação realizada pelo jornal Estadão. Nesse sentido, grande parcela de jovens e crianças fica à parte dessa situação, o que mantém o número alto de órfãos em abrigos.

Outrossim, a burocracia também é um agravante. Analogamente à ideia do filósofo Aristóteles, o homem é um animal político, logo, é dever dessas autoridades assegurar o bem comum. No entanto, segundo diagnóstico do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), mais de 43 das adoções foram concluidas em mais de 8 meses do tempo estipulado. Desse modo, é notório que a falta de profissionais no setor não contribui para garantir agilidade no processo adotivo.

Por conseguinte, pode-se constatar a necessidade de combater os impasses relacionados à adoção. Dessa maneira, o Governo, órgão responsável pelas políticas públicas, deve por meio da mídia, veículo de forte impacto social, disseminar informações e esclarecimentos, com intuito de assegurar maior apoio a quem pretende adotar, e também quebrar tabus sobre o assunto. Além disso, é preciso investir em profissionais da área, para agilizar os processos e atualizar dados. Assim sendo, será possível alterar o cenário do processo adotivo no Brasil.