Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 14/01/2021
A Constituição de 1988 foi um avanço para a sociedade brasileira, sendo que, entre suas enormes contribuições, está a não distinção de filhos adotivos e biológicos. Contudo, mesmo com as grandes conquistas, ainda há impasses no processo de adoção no Brasil, seja pela alta exigência paterna do perfil da criança a ser adotado, seja pela burocracia estatal.
Em primeira análise, os interessados ao processo adotivo, muitas vezes, estabelecem critérios para adotar uma criança, como, por exemplo, a exigência da cor da pele não ser negra e que ela seja menor de 5 anos. A exemplo disso, segundo o Cadastro Nacional de Adoção, existem cerca de 5000 crianças cadastradas para a adoção no país, porém, apenas 11% se encaixam no perfil exigido por parte dos pais: brancas e menores de 5 anos. Dessa forma, nota-se que ainda está presente na sociedade o pensamento racista, que faz com que crianças negras continuem sendo excluídas e marginalizadas, o que dificulta a adoção delas.
Em segunda análise, vale destacar que o sociólogo Max Weber foi responsável por defender a burocracia, pois ele a considera como um tipo de dominação racional e que tem como objetivo melhorar a administração do Estado. Todavia, a ideia weberiana não pode ser confirmada em âmbito brasileiro, já que os processos burocráticos são lentos, como no caso da adoção de crianças de adolescentes, podendo levar até 4 anos para que o processo adotivo seja concretizado e a família possa levá-los. Logo, percebe-se que a burocracia faz com que a euforia inicial dos futuros pais aos poucos acabe e que esses desistam do sonho de adotar um filho pela demora das questões legais.
Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver os impasses no processo de adoção no Brasil. Cabe à mídia, por meio dos diversos meios de comunicação, como internet, televisão, jornais, promover a divulgação de constantes campanhas de conscientização da importância da adoção de crianças negras, ao mostrar a realidade social e psicológica deles nos orfanatos, a fim de que o preconceito contra o processo adotivo desses jovens possa ser descontruído. Além disso, cabe ao Estado facilitar o processo burocrático da adoção, por intermédio da contratação de mais assistentes sociais, a fim de solucionar rapidamente as questões legais, como a investigação da família interessada no processo.