Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 19/05/2020
Na série canadense “Anne with an E” situada em 1908, os irmãos Sr. e Sra. Cuthbert desejam adotar
um garoto para ajudá-los na lavoura, porém são surpreendidos ao receberem uma garota e consideram devolvê-la, entretanto são cativados pela personalidade diferenciada de Anne, e por fim resolvem adotá-la. Infelizmente, tal problemática não destoa da realidade brasileira, uma vez que há um número crescente de crianças em orfanatos, que assim como Anne, não estão dentro dos perfis estereotipados pelos casais. Nesse sentido, evidencia-se que, hodiernamente, crianças com irmãos ou que não estão em uma faixa etária desejada, por exemplo a adolescência, encontra-se fora do padrão esperado.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção 3.206 (65,68%) das crianças têm irmãos, logo estão fora do padrão almejado pelos futuros pais. Tal conjuntura se deve ao fato de que segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) “Grupos de irmãos não pode ser separados”, todavia uma parcela significativa dos pretendentes não estão dispostos a perfilhar mais de um. Em contraste a isso, o personagem Gru do filme “Meu malvado favorito” gosta de ser visto como um super vilão, mas encontra um desafio ainda maior que praticar o mal, ser pai de Margo, Agnes e Edith as irmãs adotadas por ele. Dessa forma, é indubitável os benefícios gerados por esse ato, que proporciona resultados positivos para ambos os lados.
Por conseguinte, inúmeras crianças permanecem por um longo período de tempo, as vezes até a fase adulta, nos lares provisórios. Isso se deve ao fato de que muitos casais buscam acompanhar o crescimento dos filhos e compartilhar o máximo de experiência possível. Devido a isso os jovens por não apresentarem essas características são excluídos, o que ocasiona em impactos negativos em suas vidas, como: sentimentos de abandono e rejeição. Desse modo, a fila de espera se torna cada vez maior e a procura por um padrão inexistente é o principal agravante a situação.
Portanto, medidas são necessárias para resolver os impasses. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos em parceria com o Ministério da Educação (MEC) deve fazer a conscientização da população, por meio de palestras que serão ministradas por psicólogos. Tais discussões terão como objetivo incentivar as pessoas interessadas a visitar os orfanatos e conhecer as crianças antes de tomar qualquer decisão. Espera-se com essa ação que os impasses para adoção no Brasil sejam superados, logo cenas como as mostradas no longa “Meu malvado favorito” serão parte da realidade de muitas famílias.