Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 15/05/2020
Desde o movimento intelectual que surgiu durante o século XVIII, na Europa, o iluminismo, que pregava a disseminação dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, entende-se que uma sociedade só progride quando um se comove com o problema do outro. Entretanto, ao observar o processo de adoção no Brasil, percebe-se que esse ideal é contestado. Neste contexto, deve-se analisar como a burocracia estatal e o preconceito colaboram para a permanecia da temática.
Mormente, os trâmites administrativos são os principais responsáveis para a problemática na sociedade brasileira. Tal fato ocorre porque a família ou indivíduo solteiro, para conseguir adotar uma criança, precisa passar por um processo demorado e desgastante. Sob esse viés, segundo o sociólogo Bourdieu, existem ‘‘Violências Simbólicas’’ nas quais a classe dominante exclui e silencia, naturalizando determinada distorção. Dessa forma, consequentemente, não só a criança sofre danos psicológicos pela não adoção diante as dificuldades enfrentadas para adotar, como também os indivíduos que pretendiam possuir um filho.
Outrossim, o preconceito é outro fator primordial para a temática. Essa situação se deve porque, os sujeitos que pretendem adotar buscam, na maioria das vezes, menina branca, sem irmãos e menores de 4 anos. De acordo com a filosofa judia Hannah Arendt, em sua teoria ’’ banalidade do mal’’, defende que o comportamento preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação. Assim, ao analisar a miscigenação existente no Brasil, percebe-se que há um número reduzido de crianças com o perfil desejado. Logo, por consequência, muitas crianças não são adotadas diante o preconceito existente na sociedade.
Dessa maneira, medidas são necessárias para resolver o impasse. Portanto, o Governo Federal, em parceria com o Poder Judiciário, deve, por meio da aprovação de uma lei que vise a desburocratização da adoção, criada pelo Poder Legislativo, facilitar o processo de adoção, a fim de unir rapidamente pai e filho e diminuir o número de crianças na fila de espera para a adoção. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, deve divulgar propaganda obrigatória nos grandes canais de televisão, que mostre a realidade vivenciada pelas crianças, além de elaborar campanhas nas redes sociais, com dados estatísticos dos perfis das crianças a serem adotadas, com o viés de incentivar a adoção e erradicar o preconceito. Assim, a adoção no Brasil não será um problema.