Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 14/05/2020
Atualmente, no Brasil o processo de adoção apresenta uma grande contradição, pois cerca de sessenta por cento dos adultos desejam afiliar apenas uma criança, mas há uma lei que estabelece que jovens com irmãos não podem ser separados, ou seja, os pais adotativos devem adotar mais de uma criança, caso ela tenha parentes de sangue. Porém, cerca de sessenta por cento dos jovens nos abrigos têm irmãos. Além de tal descompasso, a maioria das pessoas que desejam aparentar, querem crianças ou bebês, especificando ainda mais o perfil do adotado. Contudo, tais critérios e regras criam obstáculos no esquema de adoção no Brasil e fazem com que muitos jovens não sejam aparentados e não recebam lares, e pais desejosos de afiliar crianças não consigam realizá-lo.
Nos dias atuais, a maioria dos pais que desejam adotar apenas uma criança não têm condições necessárias para aparentar duas, por falta de recursos financeiros ou tempo, elementos essenciais para criar um filho. Além disso, a maioria dos pais querem adotar bebês, pela crença de que se adaptarão mais facilmente a nova realidade e serão mais fáceis de criar e educar, já que, como estão no início da vida, não possuem crenças e valores formados e não irão trazer problemas à nova família. Porém, afiliar adoescentes, pode também trazer benefícios e alegrias ao contexto familiar, como é ilustrado na série “Anne com E”, onde um casal de irmãos ao adotar uma menina de 13 anos, é submetido a um choque de realidade profundo e benéfico, que muda sua forma e jeito de enxergar a vida.
Porém, todas as especificidades desejadas dos pais adotivos aos adotados, levam a maioria das crianças, que não atendem aos perfis desejados, não serem afiliadas e passarem sua infância e adolescência inteiras nos abrigos até completarem dezoito anos. Quando isso acontece, os jovens são encaminhados às Repúblicas, onde dividem o espaço com outros adolêcentes nas mesmas condições. Além das consequências negativas na vida dos jovens, que não recebem lar, família e amor parental, os pais, que, por complicações biológicas não conseguem ter filhos, não realizam o desejo de adotar, no caso, por exemplo de, casais homossexuais e pessoas estéreis.
Portanto, com o objetivo de aumentar o número de crianças a serem adotadas no Brasil, o Poder Legislativo deve, por meio de um projeto de lei, mudar a regra que proibe separar irmãos, visto que tal norma impede e dificulta a adoção de jovens e crianças e traz consequências negativas na vida dos fututos pais e adotados. Ademais, deve ser estabelecido na nova lei, que os pais adotivos da criança que tiver irmãos, são responsáveis por possibilitar o contato do adotado com seu parente de sangue, pelo menos uma vez por semana, de modo que estes não se desaproximem. Além disso, as pessoas devem se conscientizar da importância de adotar jovens e adolescentes e passar a fazê-lo também.