Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 11/05/2020

O processo de adoção no Brasil apresenta dificuldades bem conhecidas. De fato, parece não haver acordo entre os interesses dos pais que desejam adotar, e a realidade dos abrigos brasileiros. Sobre isso, os conflitos mais lembrados são: (1) a maioria dos adotantes não deseja acolher irmãos, como também (2) prefere crianças de menor idade. Diante do exposto, nosso intento é defender que em virtude do primeiro problema ser aparente, o segundo se revela real.

Para julgar com justiça a procedência ou não do primeiro ponto, precisamos analisar os números com bastante cuidado. Decerto, o Cadastro Nacional de Adoção aponta que dois terços dos brasileiros só estão dispostos a adotar filhos sem irmãos. Por outro lado, na mesma fonte encontramos dados sobre o perfil dos menores: apenas um terço desses correspondem à expectativa dos que desejam garantir um lar aos que sofreram alienação parental. A situação inspira preocupação.

Finalmente, a sociedade deve questionar e verificar se o problema não reside no excesso de rigor do Estatuto da Criança e do Adolescente nessa questão específica. Se, por um lado, separar irmãos foge da solução mais ideal possível, cremos que é urgente agilizar o processo de adoção mesmo nessas condições para evitar um mal maior: impedir que tais crianças continuem no abrigo em idade avançada, pois esse realmente parece ser o maior impasse ao processo de adoção no Brasil.