Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 18/05/2020
Ayko Miranda, um rapaz de 15 anos de idade, foi adotado por Diego Miranda. No canal Além do Ventre, os dois contam suas experiências com o processo de adaptação, como, por parte de Ayko, a superação de uma série de abandonos, e por Diego, o desenvolvimento de um pai. Assim como esse rapaz, milhares de crianças a adolescentes aguardam o acolhimento de uma família. Entretanto, apesar de existirem mais de trinta mil pretendentes a adoção, poucos conseguem entrar nessa realidade, haja vista que os padrões requeridos são incompatíveis com o que se tem nos abrigos. Posto isso, também é possível notar limitação da compreensão do processo de adoção pelos futuros pais.
Em primeiro lugar, é necessário ter em mente que, segundo o Cadastro Nacional de Adoção, 7,2 mil crianças são aptas para o acolhimento, enquanto quarenta mil brasileiros têm interesse no ato. Portanto, o cálculo não coincide na prática. Isso se deve aos modelos desejados por mais da metade dos pretendentes. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, noventa em cada cem crianças tem sete anos ou mais, enquanto apenas cinco em cada cem interessados em adotar aceitam crianças nessa faixa etária. Tal discrepância faz com que a quantidade de jovens em abrigos fique estagnada e/ou aumente com o tempo, dificultando o andamento dos processos de adoção.
Posto isso, percebe-se que parte da problemática se concentra da inflexibilidade dos padrões desejados. Os pretendentes se limitam a uma faixa etária que foge da realidade dos abrigos. Conforme o site Child Fund Brasil, o processo de adoção é um ato de amor, proteção; a criação de um vínculo afetivo entre a família ou pessoa e a chegada de um novo filho(a) que receberá o mesmo tratamento dos demais, não sendo diferenciado pela ausência da ligação genética. Sendo assim, torna-se evidente que muitos pretendentes ao acolhimento têm restrições que os privam daquilo que eles estão buscando, condicionando a filiação a fatores limitados.
Destarte, para que os impasses da adoção sejam superados no Brasil, o Conselho Nacional de Justiça deve desenvolver um projeto que vise a propor a conscientização das pessoas, em principal, os pretendentes ao processo de adoção, sobre a diversidade de crianças e adolescentes e a importância do acolhimento aos que são maiores de 7 anos de idade. Isso deve ser feito por meio de uma campanha nos meios de comunicação mais utilizados, para maior alcance. A campanha deve contar com o auxílio de psicólogos e advogados capacitados para a explanação da questão. Desse modo, mais crianças e adolescentes serão inseridos em famílias, com os devidos processos e acompanhamentos para fiscalização de bem estar.