Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 01/09/2019
De acordo com os dados do Conselho Nacional de Adoção (CNA), o número de pessoas dispostas a adotar é doze vezes maior do que a quantidade de crianças cadastradas para adoção no Brasil. Entretanto, há uma incompatibilidade no que tange este problema, devido ao perfil específico das famílias que desejam acolher, acarretando no significativo aumento de crianças nos abrigos públicos do país. Nesse cotexto, se vê a necessidade de medidas que sejam capazes de conter e modificar o atual cenário.
Em primeiro lugar, há uma problemática relacionada ao perfil solicitado em encontrar a criança ideal por quem deseja adotar. Tal impasse está relacionado aos jovens nos abrigos públicos, que são majoritariamente negros, com mais de três anos de idade e com irmãos, justamente o oposto da especificidade exigida, segundo o CNA. Este contexto está relacionado a outro problema social presente no Brasil: a falta de planejamento familiar e o baixo poder aquisitivo das classes mais vulneráveis.
Outro fator que ilustra esse cenário é a quantidade de jovens que crescem sem o apoio familiar, consequência do abandono dos pais biológicos e do preconceito presente nos abrigos. Além disso, não há celeridade nos processos para adoção, gerando uma lista de espera grande e demorada, como também a falta de acompanhamento com psicólogos após a adoção.
Destarte, o CNA, juntamente com o Conselho Nacional de Justiça, órgãos responsáveis por esse sistema, devem incentivar a adoção de crianças que não estão dentro do perfil específico exigido pela maioria dos adotantes. Isso através de campanhas publicitárias na TV, redes sociais e palestras na principais metrópoles do país, além de acelerar os processos de adoção a fim de diminuir o número de crianças nos abrigos. Tudo isso com a finalidade de dar um lar às crianças e mostrar que o Brasil é um país de miscigenação social, o que deve ser valorizado, afinal, o país que é hoje foi formado através dessa mistura de povos e culturas.